Petróleo sobe com novos ataques dos houthis e temor sobre oferta global
Ataques no Iêmen reacendem preocupações com a segurança da navegação no Mar Vermelho, enquanto negociações envolvendo o Estreito de Ormuz limitam uma alta ainda maior dos preços
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira após novos ataques dos houthis, grupo alinhado ao Irã, contra posições sauditas no Iêmen aumentarem os receios sobre a segurança das rotas de transporte de energia no Oriente Médio.
O Brent avançou 2,2%, sendo negociado a US$ 81,19 por barril, enquanto o WTI americano subiu 1,9%, para US$ 76,62. O movimento ocorreu depois que os houthis afirmaram ter realizado ataques com mísseis e drones contra instalações e forças apoiadas pela Arábia Saudita nas regiões de Marib e Hadramout, além de reivindicarem ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.
Embora não haja confirmação oficial da Arábia Saudita sobre os incidentes, o episódio reforçou as preocupações dos investidores com possíveis interrupções nas rotas de transporte de petróleo.
Ao mesmo tempo, as negociações entre Irã e Omã continuam oferecendo algum alívio ao mercado. Segundo autoridades iranianas, um acordo para definir uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz está em fase final de elaboração. Caso seja concluído, o entendimento pode contribuir para a retomada do fluxo de embarcações por uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
Ainda assim, o mercado permanece cauteloso. Investidores lembram que acordos anteriores tiveram curta duração, mantendo um prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo enquanto não houver sinais concretos de normalização.
Antes do início do conflito, cerca de 20% da oferta global diária de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz. Atualmente, as exportações dos países do Golfo seguem aproximadamente 40% abaixo dos níveis registrados antes da guerra, refletindo o impacto das tensões sobre a logística da região.
Analistas avaliam que qualquer atraso nas negociações ou nova escalada militar pode provocar novas altas no petróleo, principalmente se houver interrupções mais significativas no transporte marítimo.
Além dos riscos no Oriente Médio, o mercado acompanha outros fatores que podem afetar a oferta global. Na Rússia, uma importante refinaria na região de Yaroslavl foi atingida por um ataque de drones ucranianos, enquanto a Arábia Saudita reduziu o preço oficial de venda do petróleo Arab Light para clientes asiáticos em setembro, sinalizando preocupação com a demanda na região.
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