Ofensiva contra o Irã eleva risco de guerra regional
Retaliações atingem bases e petróleo entra no radar do mercado
Os Estados Unidos e Israel realizaram neste sábado (28) uma ampla operação militar contra alvos no Irã, intensificando de forma significativa a crise no Oriente Médio. O presidente Donald Trump declarou que a ofensiva pode abrir espaço para que a população iraniana "derrube seus governantes", sugerindo que a ação tem dimensão estratégica e política.
Segundo autoridades israelenses, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, esteve entre os alvos visados. Fontes ligadas às operações afirmaram que o ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques. O governo iraniano não confirmou oficialmente as mortes, mas o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, admitiu que comandantes podem ter sido perdidos e classificou os bombardeios como ilegais e sem provocação prévia.
A resposta de Teerã foi imediata. O Irã anunciou ataques contra posições israelenses e instalações americanas na região. A Arábia Saudita relatou ofensivas em seu território, incluindo a capital Riad. Houve registros de explosões nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, além de um ataque com drone que causou danos no aeroporto internacional do Kuwait. No norte do Iraque, sistemas de defesa dos EUA interceptaram um drone próximo a uma base militar em Erbil.
Impacto regional e econômicoO conflito rapidamente afetou a infraestrutura civil e os mercados. Companhias aéreas suspenderam voos no Oriente Médio, enquanto grandes operadores interromperam embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do consumo global da commodity. O bloqueio parcial eleva o risco de pressão nos preços internacionais do petróleo.
A escalada também mobilizou a diplomacia. A França solicitou reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, e líderes da Alemanha, França e Reino Unido pediram contenção e retomada das negociações. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou para o risco de expansão do conflito e para o impacto sobre civis.
Nos Estados Unidos, parlamentares questionam a ausência de autorização formal do Congresso antes do início da operação e defendem votação sobre os poderes de guerra. Teerã afirma que não há comunicação direta com Washington no momento, mas sinaliza disposição para discutir uma desescalada caso os ataques cessem.
A evolução dos confrontos nas próximas horas será determinante para avaliar se a crise permanecerá limitada ou se poderá se transformar em um conflito regional de maiores proporções, com reflexos diretos sobre energia, comércio e estabilidade financeira global.
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