Por Maria Eduarda Cabral em Sexta, 27 Março 2026
Categoria: Economia

Petróleo sobe no dia, mas caminha para primeira queda semanal desde início da guerra

Mercado reage à incerteza sobre o conflito com o Irã, enquanto riscos seguem sustentando preços elevados

Os preços do petróleo avançaram nesta sexta-feira, refletindo o ceticismo dos investidores em relação a um possível cessar-fogo no conflito com o Irã. Ainda assim, a commodity caminha para registrar sua primeira queda semanal desde o início da guerra, após semanas consecutivas de forte valorização.

O Brent subia cerca de 3,3% (por volta das 14h14 no horário de Brasília), sendo negociado acima de US$ 111 por barril, enquanto o WTI avançava mais de 4%, próximo dos US$ 98. Apesar da alta no dia, o desempenho semanal mostra perda leve para o Brent, indicando uma pausa no rali recente.

Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, os ganhos ainda são expressivos. O Brent acumula alta superior a 50%, enquanto o WTI sobe cerca de 45%, evidenciando o impacto direto da guerra sobre o mercado global de energia.

O movimento recente, porém, revela um mercado mais cauteloso. Declarações do presidente Donald Trump sobre avanços nas negociações com o Irã não foram suficientes para sustentar o otimismo, especialmente diante da falta de detalhes e da resistência iraniana em aceitar propostas consideradas desfavoráveis.

Além disso, o risco geopolítico permanece elevado. Os Estados Unidos ampliaram a presença militar na região, enquanto avaliam cenários mais agressivos, incluindo ações diretas sobre pontos estratégicos da infraestrutura petrolífera iraniana.

O impacto sobre a oferta global já é significativo. Estima-se que cerca de 11 milhões de barris por dia tenham sido retirados do mercado, com o Estreito de Ormuz operando de forma limitada, o que mantém a pressão sobre os preços.

Analistas destacam que o petróleo deixou de reagir apenas a manchetes e passou a ser precificado com base na duração do conflito. Quanto mais prolongada for a guerra, maior tende a ser o ajuste nos preços.

Projeções mais extremas começam a ganhar espaço. Instituições como o Macquarie avaliam que, em um cenário de escalada prolongada até o meio do ano, o petróleo poderia atingir níveis próximos de US$ 200 por barril.

Ao mesmo tempo, novos fatores de risco surgem fora do Oriente Médio. Produtores russos já alertam para possíveis interrupções no fornecimento após ataques à infraestrutura energética, o que adiciona mais pressão a um mercado já apertado.

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