Fundos japoneses correm para captar investidores com alta dos juros
Com os títulos do governo japonês oferecendo rendimentos próximos aos de Treasuries e Bunds, gestoras ampliam a oferta de fundos de renda fixa para o varejo
Depois de anos com retornos próximos de zero, os títulos do governo japonês voltaram a atrair investidores. A alta dos rendimentos dos JGBs, impulsionada pela normalização da política monetária do Banco do Japão, levou gestoras domésticas a ampliar a oferta de fundos voltados para investidores de varejo.
Mitsubishi UFJ Asset Management, Daiwa Asset Management e Amova Asset Management estão entre as empresas que passaram a oferecer produtos concentrados em títulos de prazo mais longo. Os JGBs de 30 anos apresentam rendimento próximo de 4%, acima dos cerca de 3,6% dos Bunds alemães de mesmo prazo e próximo dos 5,2% dos Treasuries americanos.
A mudança representa uma transformação importante no mercado japonês de renda fixa, historicamente dominado pelo Banco do Japão. Com a autoridade monetária reduzindo suas compras de títulos e os preços dos JGBs recuando, os rendimentos subiram e passaram a oferecer uma alternativa de diversificação para investidores que tradicionalmente concentravam seus recursos em depósitos e ações.
A Mitsubishi UFJ Asset Management, por exemplo, planeja lançar em setembro um fundo concentrado em títulos de 20 anos emitidos durante o período de política monetária extremamente frouxa do Japão. Como esses papéis foram negociados com desconto após a alta dos juros, investidores que os mantiverem até o vencimento poderão receber o valor nominal integral.
O movimento também atende a uma necessidade crescente do governo japonês. O Banco do Japão deve reduzir suas reservas de JGBs em 48 trilhões de ienes neste ano fiscal, enquanto o governo pretende aumentar a emissão em cerca de 15 trilhões de ienes para financiar estímulos e cortes de impostos. Com menos participação do banco central e mais oferta de títulos, a entrada de investidores privados ganha importância.
As gestoras, porém, também estão adaptando os produtos ao receio de que os juros japoneses continuem subindo. O rendimento do JGB de dois anos chegou a 1,64%, maior nível em 31 anos, diante das apostas de que o Banco do Japão poderá elevar os juros já em setembro. Por isso, algumas empresas passaram a priorizar títulos de prazo mais curto, oferecendo uma alternativa aos depósitos bancários tradicionais.
A mudança mostra como a alta dos juros está alterando o comportamento do investidor japonês. Depois de décadas em que os títulos públicos ofereciam pouco retorno, a renda fixa voltou a competir pela atenção do varejo e pode assumir um papel maior na composição das carteiras domésticas.
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