‘Bolha de lucros’ do S&P 500 acende alerta, mas Goldman vê desaceleração
Crescimento dos resultados está muito acima da tendência histórica, impulsionado por IA, margens de semicondutores e ganhos financeiros
O forte crescimento dos lucros das empresas do S&P 500 começa a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade dos resultados, mas o Goldman Sachs avalia que o cenário mais provável é de desaceleração dos lucros, e não de colapso. O banco projeta que o índice alcance 8.700 pontos nos próximos 12 meses, o que representaria um retorno de 14%.
O lucro por ação (EPS) do S&P 500 cresceu 51% no segundo trimestre e 26% nos últimos quatro trimestres, levando os resultados para níveis bem acima da tendência histórica. Ao mesmo tempo, o múltiplo P/L projetado do índice está em cerca de 19 vezes, em linha com a média dos últimos dez anos. O múltiplo calculado sobre os lucros ajustados pela tendência, porém, só esteve em níveis superiores nas últimas décadas durante o pico da bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000.
Parte importante desse avanço vem do boom de investimentos em inteligência artificial. Segundo o Goldman, os gastos relacionados à IA responderam por quase metade do crescimento dos lucros do S&P 500 neste ano. O banco espera que esse impulso perca força nos próximos anos, à medida que o crescimento dos investimentos desacelere e os custos de depreciação aumentem.
As margens das empresas de semicondutores também entram no radar. O Goldman avalia que uma eventual queda das margens brutas do setor, dos atuais 70% para a média de 55% dos últimos 15 anos, poderia reduzir os lucros do S&P 500 em cerca de 10%.
Outro fator que elevou temporariamente os resultados foi o ganho com participações acionárias de grandes empresas de tecnologia. Segundo o banco, essas companhias registraram mais de US$ 150 bilhões em outras receitas relacionadas a investimentos no segundo trimestre, contribuindo para um aumento de 12% nos lucros do índice.
Para os próximos anos, o Goldman projeta crescimento de 11% do EPS em 2027 e 2028, para US$ 415 e US$ 460, respectivamente. A expectativa é que o crescimento econômico e, posteriormente, os ganhos de produtividade proporcionados pela IA compensem gradualmente a perda de impulso dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
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