Wall Street se recupera, mas juros mantêm bolsas no caminho da queda semanal
Ações americanas avançam após a forte queda da sessão anterior, enquanto rendimentos elevados dos Treasuries e tensões geopolíticas continuam limitando o apetite por risco
Os principais índices de Wall Street avançavam nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas da sessão anterior, mas ainda caminhavam para encerrar a semana no vermelho. A alta dos rendimentos dos títulos do governo americano e as tensões geopolíticas continuam pesando sobre o apetite por risco, mantendo o S&P 500 e o Nasdaq no caminho para interromper uma sequência de três semanas de ganhos.
Às 11h47, no horário de Nova York, o Dow Jones subia 0,89%, enquanto o S&P 500 avançava 0,66% e o Nasdaq ganhava 0,65%. A recuperação foi liderada principalmente pelos setores de saúde e financeiro, que avançavam 1,6% e 1%, respectivamente. Mesmo com a melhora desta sexta-feira, o Dow ainda caminhava para registrar sua segunda queda semanal consecutiva e a maior perda semanal desde meados de março.
As ações ligadas às criptomoedas também se destacavam. A Robinhood subia quase 13%, enquanto a Coinbase avançava 9,8% e a Strategy, conhecida por sua estratégia de acumulação de bitcoin, ganhava 7,2%. O movimento acompanhava a valorização do bitcoin, que atingiu seu maior nível desde o fim de maio.
Entre as megacapitalizações, o desempenho era misto. Alphabet e Microsoft avançavam cerca de 1%, enquanto Nvidia e Amazon recuavam 0,3% cada. O setor de tecnologia, entretanto, permanecia entre os mais pressionados na semana, principalmente devido à alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo.
A preocupação com o aumento da dívida pública americana, os custos mais elevados de financiamento e os riscos persistentes de inflação levaram o rendimento dos Treasuries de 30 anos ao maior nível em 19 anos na terça-feira. Para as ações de crescimento, o movimento é particularmente relevante porque juros mais altos reduzem o valor presente dos lucros futuros e tornam mais caro financiar grandes projetos, incluindo os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial.
O anúncio do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que o governo poderia ampliar novamente as recompras de títulos trouxe algum alívio aos mercados, mas o efeito foi limitado. A medida havia provocado uma reação positiva inicialmente, porém os investidores continuam avaliando se a atuação do Tesouro será suficiente para conter a pressão sobre os rendimentos no longo prazo.
Enquanto os juros permanecem no centro das atenções, o petróleo também adiciona pressão ao mercado. O impasse entre Washington e Teerã levou os preços da commodity a subir pelo sexto dia consecutivo, depois que Bessent afirmou que os Estados Unidos pretendem impor ao Irã as "sanções mais duras da história". A possibilidade de uma escalada prolongada mantém os investidores atentos aos riscos para a oferta global de petróleo e para a inflação.
Apesar do ambiente mais difícil, os resultados corporativos continuam oferecendo sustentação às bolsas. As ações da Ross Stores subiam 4,8% depois que a varejista elevou sua previsão de lucro anual e apresentou resultados do segundo trimestre acima das expectativas. A UBS Global Wealth Management também elevou sua projeção para o S&P 500 no fim do ano, citando a força dos lucros corporativos e uma perspectiva mais favorável para os resultados das empresas.
Os investidores agora voltam a atenção para a próxima semana, que terá uma agenda importante para a política monetária americana. Os dados de gastos de consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, serão divulgados em meio às expectativas sobre os próximos passos do banco central. O discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole também será monitorado de perto.
Outro evento central será a divulgação dos resultados da Nvidia, considerada um dos principais termômetros do ciclo de investimentos em inteligência artificial. O mercado buscará sinais sobre a demanda por chips, infraestrutura e data centers, especialmente depois que os altos rendimentos dos títulos começaram a levantar dúvidas sobre a capacidade das empresas de sustentar o ritmo atual de gastos.
Assim, a recuperação desta sexta-feira representa um alívio após a forte queda anterior, mas ainda não muda o quadro da semana. Wall Street segue dividida entre a força dos lucros corporativos e da inteligência artificial e a pressão provocada pelos juros elevados, pelo petróleo e pelas incertezas geopolíticas.
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