BC do Japão debate ritmo mais rápido de alta dos juros, mas governo pede cautela

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BC do Japão debate ritmo mais rápido de alta dos juros, mas governo pede cautela

Autoridades do Banco do Japão discutiram acelerar o aperto monetário, enquanto pesquisa trimestral mostra poucos sinais de aumento das expectativas de inflação 

Foto: GettyImages

Autoridades do Banco do Japão (BoJ) discutiram, na reunião de setembro, a possibilidade de acelerar o ritmo de alta dos juros ou aproximar mais rapidamente a taxa de referência do nível considerado adequado para a economia. Ao mesmo tempo, um representante do governo pediu cautela diante dos efeitos acumulados das altas anteriores, reduzindo as apostas de uma nova elevação já em outubro.

O resumo das opiniões da reunião mostrou que vários integrantes do banco central consideram necessário dar continuidade ao aperto monetário depois da alta realizada em setembro. Um dos membros afirmou que, caso sejam observados sinais de aumento excessivo dos preços, o BoJ precisará acelerar o ritmo das altas de juros. Outro defendeu que a taxa seja levada relativamente rápido para mais perto do nível considerado adequado para a economia, criando espaço para o banco reagir a eventuais mudanças no cenário.

Parte das autoridades avalia que a inflação subjacente já está próxima ou em torno da meta de 2% do BoJ. Nesse cenário, novos aumentos seriam necessários para evitar que a pressão sobre os preços se torne persistente. O banco central elevou sua taxa básica para 1,25% em setembro, o maior nível em 31 anos, e sinalizou que ainda pode haver espaço para novos ajustes.

O debate, porém, está longe de ser unânime. Dois integrantes do conselho, Toichiro Asada e Ayano Sato, votaram contra a decisão de setembro e defenderam uma postura mais cautelosa. Opiniões registradas no documento apontaram para o consumo ainda fraco e para a desaceleração da inflação no setor de serviços como fatores que justificariam esperar antes de elevar novamente os juros.

A pressão por cautela também veio do governo. Um representante do Gabinete do Japão pediu que o BoJ avalie cuidadosamente os efeitos acumulados das altas anteriores e considere o nível da taxa de juros neutra, que não estimula nem desacelera a atividade econômica. O representante do governo na reunião de setembro foi o ministro da Economia, Minoru Kiuchi.

O cenário ganhou um novo elemento com a divulgação, nesta quinta-feira (1º), da pesquisa trimestral Tankan. O levantamento mostrou que as expectativas de inflação das empresas continuam acima da meta do BoJ, mas não aceleraram em relação ao trimestre anterior, reduzindo a pressão por uma alta imediata dos juros. As empresas projetam inflação de 2,6% para os próximos três anos e de 2,5% para os próximos cinco anos.

O levantamento também mostrou sinais mistos sobre a atividade. O índice de confiança das grandes empresas industriais subiu de 22 para 24 pontos entre junho e setembro, atingindo o maior nível desde março de 2018. A melhora foi associada principalmente à forte demanda global por chips e inteligência artificial e à redução dos problemas nas cadeias de suprimentos. O resultado, porém, ficou abaixo da expectativa média de 25 pontos.

Entre as empresas não industriais, o cenário foi diferente. O índice caiu de 37 para 35 pontos, registrando a primeira queda em cinco trimestres. Segundo o BoJ, empresas do setor de serviços foram pressionadas pelo aumento dos custos de matérias-primas e mão de obra, enquanto consumidores reduziram as compras diante dos preços mais altos. Restaurantes e hotéis também foram afetados por condições climáticas adversas.

As empresas dos dois grupos também esperam uma piora das condições de negócios nos próximos três meses, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Os indicadores de custos de insumos, por sua vez, apontaram para aumentos um pouco mais moderados, enquanto as condições de financiamento permaneceram praticamente estáveis, indicando que o ambiente financeiro continua relativamente favorável apesar das altas de juros recentes.

A combinação entre inflação ainda elevada, atividade econômica desigual e ausência de aceleração nas expectativas de preços dificulta a definição do próximo passo do BoJ. O banco central mantém aberta a possibilidade de novos aumentos, mas os dados mais recentes não dão um sinal claro de necessidade de uma alta consecutiva em outubro.

No mercado de câmbio, o iene ultrapassou 158 por dólar nesta quinta-feira, refletindo a redução das apostas em uma nova alta imediata dos juros japoneses. Para os investidores, a divergência entre integrantes do BoJ e a cautela manifestada pelo governo aumentou as dúvidas sobre a velocidade com que o banco central pretende continuar sua normalização monetária.

O BoJ terá de equilibrar a necessidade de conter a inflação com os riscos de pressionar uma economia que ainda apresenta sinais de fraqueza no consumo e nos serviços. A próxima decisão dependerá da evolução dos preços, dos salários e da atividade econômica, enquanto o mercado acompanha se o banco escolherá uma nova alta em outubro ou deixará o próximo movimento para uma reunião posterior.

 

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Quinta, 01 Outubro 2026

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