Ouro cai mais de 1% após inflação dos EUA vir próxima das expectativas
Dados do PCE aumentaram levemente as apostas de alta dos juros do Federal Reserve em setembro, pressionando o preço do ouro
O preço do ouro caiu mais de 1% nesta quarta-feira, depois que os dados de inflação dos Estados Unidos ficaram próximos das expectativas do mercado. Os números aumentaram levemente as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros no próximo mês, o que reduz o atrativo do ouro para os investidores.
O ouro à vista caiu 1,3%, para US$ 4.595,93 por onça, às 13h57 BRT. Na terça-feira, o metal havia atingido seu maior nível desde 14 de maio. Os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos fecharam em queda de 0,9%, a US$ 4.653,30 por onça.
O principal dado divulgado nesta quarta-feira foi o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), indicador acompanhado de perto pelo Federal Reserve para avaliar a inflação. O índice subiu 3,7% nos 12 meses até julho, enquanto os economistas consultados pela Reuters esperavam uma alta de 3,6%.
Embora a diferença tenha sido pequena, o resultado reforçou a percepção de que a inflação americana continua pressionada. Com isso, os investidores passaram a considerar um pouco mais provável uma alta dos juros pelo Fed em setembro.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado agora vê uma probabilidade de 40% de aumento dos juros no próximo mês, contra 36% antes da divulgação dos dados. A chance de manutenção das taxas está em cerca de 60%.
O movimento também foi influenciado pelo dólar, que subiu 0,3%. Como o ouro é negociado em dólares, uma moeda americana mais forte torna o metal mais caro para investidores que utilizam outras moedas, reduzindo sua demanda.
O ouro também sofre quando os juros estão elevados porque o metal não gera rendimento, ao contrário de investimentos que pagam juros. Por isso, quando os investidores esperam taxas maiores, parte do dinheiro pode deixar o ouro em busca de ativos que ofereçam retorno financeiro.
Apesar da queda desta quarta-feira, alguns analistas continuam otimistas com o metal. Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, afirmou que a alta do ouro pode voltar a ganhar força e que existe possibilidade de o metal superar US$ 5.000 por onça ainda este ano.
O mercado também acompanha de perto os acontecimentos no Estreito de Ormuz. Irã e Omã continuam negociando os detalhes de um possível acordo para permitir a passagem de navios pela região, uma rota fundamental para o transporte mundial de petróleo. Uma eventual redução das tensões poderia diminuir parte da procura por ativos considerados mais seguros, como o ouro.
Além da inflação e das questões geopolíticas, os investidores aguardam o Simpósio de Jackson Hole, que acontece nesta semana. O discurso de Kevin Warsh na sexta-feira poderá trazer novas pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve e influenciar diretamente o mercado de ouro.
Entre outros metais preciosos, a prata caiu 1%, para US$ 67,93 por onça, enquanto a platina recuou 1,4%, para US$ 1.831,67. O paládio teve queda de 0,1%, para US$ 1.324,63.
Apesar da queda do dia, o ouro continua próximo de níveis historicamente elevados. O mercado agora tenta equilibrar dois fatores: de um lado, uma inflação ainda resistente e a possibilidade de juros mais altos, que pressionam o metal; de outro, as incertezas geopolíticas e a expectativa de cortes ou estabilidade dos juros no futuro, que podem voltar a favorecer a procura pelo ouro.
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