Dólar sobe de leve, enquanto tarifas dos EUA pressionam o dólar canadense

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Dólar sobe de leve, enquanto tarifas dos EUA pressionam o dólar canadense

Moeda americana tenta se recuperar após três semanas de perdas, enquanto investidores acompanham as novas medidas comerciais de Washington, as sanções contra o Irã e os próximos sinais do Federal Reserve 

Foto: GettyImages

O dólar americano avançou ligeiramente nesta segunda-feira, depois de registrar sua terceira queda semanal em quatro semanas e atingir o menor nível em três meses. A moeda começou a semana apoiada pela expectativa de novas medidas do Tesouro dos Estados Unidos para conter a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo, enquanto os investidores aguardam detalhes das sanções que Washington pretende impor ao Irã.

O mercado também reagiu às informações de que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, poderia utilizar parte da Conta Geral do Tesouro, que possui quase US$ 1 trilhão, para financiar novas recompras de títulos. A estratégia seria uma alternativa à emissão de títulos de curto prazo e ampliaria os esforços do governo para aliviar a pressão sobre os juros de longo prazo.

A notícia, porém, teve efeito limitado. O dólar reduziu parte dos ganhos e os rendimentos dos Treasuries também recuaram após a divulgação. Para alguns analistas, a medida pode aliviar temporariamente as condições financeiras, mas não resolve o problema central das contas públicas americanas. Rendimentos mais baixos podem reduzir a pressão no curto prazo, mas não eliminam o elevado endividamento do governo.

O índice do dólar subia 0,11%, para 98,94, enquanto o euro recuava 0,07%, para US$ 1,1671. Os juros de longo prazo continuam elevados em diversos países, pressionados por uma combinação de expectativas de inflação, crescimento econômico e preocupação com o aumento da dívida pública. Nos Estados Unidos, a ampliação das recompras também alimenta o debate sobre uma possível desvalorização do dólar no futuro.

No Canadá, o cenário foi mais negativo. O dólar canadense caiu 0,41%, para C$ 1,382 por dólar americano, registrando sua maior queda desde junho e interrompendo uma sequência de três sessões de valorização. A pressão veio da escalada das tensões comerciais entre os dois países depois que Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos canadenses.

A situação pode piorar nos próximos meses. Donald Trump afirmou que as tarifas sobre carros, caminhões, peças automotivas e aço serão elevadas para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027. O governo canadense, por sua vez, prometeu responder às novas tarifas com medidas equivalentes, aumentando o risco de uma nova escalada comercial entre os dois países.

Entre as principais moedas, a libra esterlina avançava 0,03%, permanecendo próxima da máxima de seis meses registrada na sexta-feira. O iene recuava 0,11%, para 159,13 por dólar. No mercado de criptomoedas, o bitcoin subia 1,67%, para US$ 78.696, depois de registrar na semana passada sua maior valorização semanal em quase três anos e meio.

Além das questões comerciais, os investidores aguardam novos acontecimentos no Oriente Médio. Scott Bessent deve detalhar as novas sanções contra o Irã, depois de Washington ameaçar impor as medidas mais duras já aplicadas ao país. O mercado também monitora se a estratégia americana poderá atingir a China, um dos principais parceiros comerciais de Teerã.

A agenda econômica americana também será importante nesta semana. Os investidores terão pela frente o índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, além de dados de renda e gastos pessoais, confiança do consumidor e uma segunda estimativa para o crescimento econômico do segundo trimestre.

No fim da semana, a atenção estará voltada para Kevin Warsh e seu discurso em Jackson Hole. O mercado espera encontrar alguma indicação sobre os próximos passos do Fed, mas economistas avaliam que o presidente do banco central pode evitar oferecer uma orientação clara sobre a trajetória dos juros.

Com isso, o dólar começa a semana tentando recuperar parte das perdas recentes, mas ainda enfrenta uma combinação de dívida elevada, incertezas fiscais, tensões comerciais e dúvidas sobre a política monetária. Ao mesmo tempo, novas tarifas contra o Canadá e as sanções ao Irã adicionam mais dois fatores capazes de alterar rapidamente o cenário cambial. 

 

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Segunda, 24 Agosto 2026

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