O que o Banco Central faz quando não está decidindo os juros?

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O que o Banco Central faz quando não está decidindo os juros?

Como a autarquia responsável pelo Selic também regula os bancos e mantém de pé a infraestrutura financeira de um país com mais de 200 milhões de habitantes.

Foto: GettyImages

O Banco Central do Brasil acumula funções que vão muito além da definição da taxa básica de juros. A autarquia, criada em 1964 e autônoma desde 2021, é responsável pela fiscalização de todas as instituições financeiras em operação no país, pela administração de US$ 358,2 bilhões em reservas internacionais e pela criação e regulação do Pix, hoje o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros.

A cada 45 dias, quando o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia sua decisão sobre a Selic, o BC ocupa o centro do noticiário econômico. Nesses momentos, a atuação da instituição recebe pouca atenção pública, apesar de afetar diretamente a segurança dos depósitos bancários, o valor do real frente às moedas estrangeiras e o funcionamento de toda a infraestrutura de pagamentos do país.

Todo banco, fintech, cooperativa de crédito e corretora de valores que operam no Brasil dependem de autorização do BC. A fiscalização não se limita ao momento de abertura: a autarquia monitora de forma contínua o cumprimento de normas de transparência, governança e solidez patrimonial. Quando uma instituição financeira apresenta irregularidades, é o BC que conduz a uma intervenção. Quando nenhuma apresentação, a fiscalização cumpriu seu papel.

No campo cambial, o BC administra as reservas internacionais do país, que encerraram 2025 em US$ 358,2 bilhões, ante US$ 329,7 bilhões no final de 2024, segundo dados da própria instituição. O montante supera do PIB das economias do Chile e da Colômbia e funciona como garantia da capacidade do Brasil de honrar compromissos externos. O regime cambial brasileiro é flutuante, mas o BC intervém pontualmente no mercado para conter movimentos especulativos que possam impulsionar a inflação.

O exemplo mais visível da atuação do BC fora da política monetária é o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos foi concebido, desenvolvido e regulamentado exclusivamente pela autarquia. Lançado em novembro de 2020, processou 63,8 bilhões de transações em 2024, movimentando R$ 26,9 trilhões, crescimento de 52% em relação ao ano anterior. Em dezembro de 2025, o Pix registrou 313,3 milhões de operações em um único dia, recorde desde sua criação. Mais de 165 milhões de pessoas utilizam o sistema, que já é treinado por outros países como referência em pagamentos instantâneos.

A instituição também gerencia o Sistema de Pagamentos Brasileiro, infraestrutura por onde passam todas as transações financeiras do país, e publica semanalmente o Boletim Focus, principal referência de mercado para projeções de inflação, câmbio e PIB. Ferramentas gratuitas como o Registro e o Sistema de Valores a Receber permitem que os cidadãos consultem seus vínculos com instituições financeiras e localizem recursos esquecidos em contas bancárias.

 

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Terça, 17 Fevereiro 2026

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