Dólar recua mais de 1% após Powell indicar possível corte de juros nos EUA
Sinalização do presidente do Fed eleva apostas de redução da taxa já em setembro, fortalecendo o real e animando os mercados
O dólar perdeu força nesta sexta-feira (22) e caiu mais de 1% frente ao real, depois que Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), admitiu que cortes nos juros podem estar no radar do banco central norte-americano. O movimento ocorre após declarações no simpósio de Jackson Hole, que ressaltaram riscos crescentes para o mercado de trabalho nos Estados Unidos, apesar da inflação ainda exigir cautela.
Por volta das 15h48, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,422, queda de 1,02%, enquanto o índice do dólar, que compara o desempenho da divisa com uma cesta de moedas, recuava 0,98%, a 97,645 pontos.
Os investidores reagiram imediatamente às falas de Powell. As chances de o Fed reduzir os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 16 e 17 de setembro subiram para 84%, de acordo com cálculos da LSEG, ante cerca de 65% antes do evento. Powell frisou que a decisão final dependerá dos dados econômicos que serão divulgados nas próximas semanas, evitando se comprometer com uma trajetória definida para a política monetária.
Para o Brasil, a perspectiva de juros mais baixos nos EUA tende a ser positiva: o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas continua atraente para investidores estrangeiros. "Esse cenário favorece o fluxo de capital para economias emergentes como a nossa", avalia Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Enquanto isso, a política interna perdeu espaço no radar dos agentes financeiros. O impasse diplomático entre Brasil e EUA, agravado por tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e recentes tensões judiciais envolvendo decisões do STF, segue como pano de fundo, mas não foi suficiente para conter a queda do dólar no dia.
Com o discurso de Powell abrindo caminho para flexibilização monetária, analistas veem um ambiente global mais favorável a emergentes, ainda que incertezas políticas e comerciais continuem exigindo atenção redobrada.
Com informação do InfoMoney.
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