Ações e petróleo recuam com novas sanções dos EUA contra o Irã no radar
Mercados globais começam a semana sob pressão, enquanto investidores aguardam detalhes das sanções contra Teerã e se preparam para uma semana decisiva para a Nvidia e o Federal Reserve
As bolsas globais recuaram nesta segunda-feira, enquanto os preços do petróleo também caíram diante da expectativa pelos detalhes das novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã. O mercado ainda acompanha de perto as tensões em torno do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que o dólar canadense perdeu força com o aumento das ameaças de uma nova guerra comercial entre Canadá e Estados Unidos.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve detalhar as sanções ainda nesta segunda-feira. Washington afirma que o Irã precisa abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. Antes do anúncio, os contratos futuros da commodity recuavam cerca de 2%, em parte devido à realização de lucros depois da forte valorização registrada na semana passada.
Em Wall Street, o foco começa a se deslocar para a Nvidia, que divulgará seus resultados trimestrais na quarta-feira. A empresa se tornou um dos principais termômetros do ciclo de investimentos em inteligência artificial, e as expectativas para o balanço são elevadas. Analistas projetam que a receita trimestral da fabricante de chips se aproxime de US$ 92 bilhões, quase o dobro do registrado em períodos anteriores.
O resultado ganha ainda mais importância depois das recentes preocupações sobre os custos e o financiamento da expansão da infraestrutura de IA. Qualquer sinal de desaceleração na demanda por chips ou de pressão sobre as margens pode afetar não apenas a Nvidia, mas também o sentimento em todo o setor de tecnologia.
Os futuros do S&P 500 recuavam 0,2%, enquanto os contratos ligados ao Nasdaq caíam 0,6%. Na Ásia, as perdas foram mais amplas, com destaque para o setor de tecnologia. As ações da Alibaba despencaram cerca de 8,5% em Hong Kong depois que a companhia lançou uma oferta de ações de US$ 10,2 bilhões, reacendendo dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial.
Na Coreia do Sul, a pressão também foi forte. Samsung Electronics caiu mais de 8% após anunciar um plano de retorno aos acionistas de US$ 79 bilhões, considerado insuficiente por investidores que esperavam uma parcela maior do caixa gerado pelo crescimento relacionado à IA.
A política monetária americana também estará no centro das atenções nesta semana. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, falará na sexta-feira durante o simpósio de Jackson Hole, evento tradicionalmente acompanhado de perto pelos mercados em busca de sinais sobre os próximos passos do banco central.
Os investidores, porém, não esperam necessariamente uma orientação clara sobre os juros. Warsh é conhecido por evitar compromissos antecipados com decisões futuras, e analistas avaliam que seu discurso pode se concentrar mais em mudanças estruturais na atuação do Fed, especialmente na redução do balanço patrimonial.
Atualmente, os mercados atribuem cerca de 40% de probabilidade a uma alta de juros em setembro e já precificam completamente uma elevação até dezembro. Os dados de inflação americana divulgados ao longo da semana podem alterar essas expectativas, principalmente se mostrarem uma persistência maior da inflação subjacente.
Enquanto isso, o mercado de títulos continua sendo um ponto de preocupação. O programa de recompra anunciado pelo Tesouro americano na semana passada ainda não conseguiu reverter de forma significativa a pressão sobre os juros de longo prazo. O rendimento dos Treasuries de 30 anos estava em 5,2487%, próximo do pico de 19 anos de 5,3371% registrado recentemente.
No câmbio, a tensão comercial entre Estados Unidos e Canadá colocou o dólar canadense novamente sob pressão. O dólar americano avançava 0,5% contra a moeda canadense, para 1,3832, depois que o primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o Canadá responderá às tarifas americanas com novas medidas comerciais.
O Canadá pretende impor tarifas sobre produtos americanos como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose e eletrônicos. A possibilidade de uma escalada comercial adiciona mais uma fonte de incerteza a um mercado que já acompanha de perto inflação, juros e conflitos geopolíticos.
O dólar americano, por sua vez, subia 0,2%, enquanto o euro recuava 0,1%, para US$ 1,1665. O ouro continuava avançando e atingia US$ 4.643 por onça, acumulando uma valorização de aproximadamente 15% no mês. A busca pelo metal reforça o movimento de investidores em direção a ativos considerados mais seguros diante das incertezas fiscais, monetárias e geopolíticas.
A semana, portanto, começa com vários fatores capazes de mudar rapidamente o humor dos mercados. As sanções contra o Irã, o comportamento dos juros americanos, o discurso de Warsh e, principalmente, o balanço da Nvidia estarão no centro das decisões dos investidores nos próximos dias.
Comentários: