Wall Street recua após inflação no atacado superar expectativas e elevar apostas em alta de juros

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Wall Street recua após inflação no atacado superar expectativas e elevar apostas em alta de juros

Dados de preços ao produtor reforçam pressão sobre o Fed, enquanto petróleo acima de US$ 100 e rendimentos dos Treasuries mantêm investidores na defensiva

Foto: GettyImages

Wall Street recuou nesta quinta-feira (10) após os dados de inflação no atacado dos Estados Unidos virem acima do esperado e aumentarem as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros ainda neste mês. O movimento ocorre em um ambiente já pressionado pela alta do petróleo, que permanece acima de US$ 100 por barril, e pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano em níveis elevados.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 5,4% em agosto, em termos anualizados, ligeiramente acima dos 5,3% projetados pelos economistas consultados pela Reuters. Embora o indicador normalmente receba menos atenção que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), os dados ganharam importância diante da proximidade da reunião do Fed e da ausência de uma orientação clara sobre os próximos passos da política monetária.

"Esperávamos que os dados fossem mais fracos do que o esperado. Mas não foram suficientemente fracos", disse Jim Lebenthal, estrategista-chefe de ações da Cerity Partners.

O resultado aumentou a pressão sobre o mercado antes da divulgação do IPC de agosto, prevista para sexta-feira (11). Segundo o CME FedWatch, os investidores agora atribuem 69,8% de probabilidade a uma alta de pelo menos 25 pontos-base nos juros na próxima semana, ante cerca de 64% antes da divulgação do IPP.

Os rendimentos dos Treasuries também reagiram. A taxa da nota de dois anos, mais sensível às expectativas para a política monetária, avançou para 4,516%, maior nível desde 2024. Já o rendimento do título de 10 anos chegou a 4,9198%, no maior patamar desde 2023.

Às 9h59, no horário de Nova York, o Dow Jones caía 0,60%, aos 52.067,74 pontos. O S&P 500 recuava 0,72%, para 7.581,17 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 0,86%, aos 26.026,49 pontos.

O avanço do petróleo acrescentou outra fonte de preocupação. O Brent subiu 3,28%, permanecendo acima de US$ 100, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre as principais rotas de abastecimento. A persistência dos preços elevados de energia aumenta o risco de novas pressões inflacionárias justamente quando o Fed avalia se precisa apertar novamente a política monetária.

Os rendimentos elevados dos Treasuries também pesam sobre as ações. Como os títulos americanos são considerados ativos de baixo risco, taxas maiores reduzem a atratividade relativa da renda variável e aumentam o custo de financiamento para empresas e consumidores.

Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro anunciou uma recompra de até US$ 6 bilhões em títulos de longo prazo, numa tentativa de ajudar a conter os rendimentos. A medida, porém, teve efeito limitado até agora.

"Ainda é cedo. Mas os mercados podem estar sinalizando para Bessent que será difícil para ele ter um controle significativo sobre as taxas de longo prazo", escreveram estrategistas do ING.

Entre as empresas, a American Eagle Outfitters caiu 13,2% após manter sua previsão anual de vendas comparáveis e indicar que as margens brutas do trimestre atual podem permanecer estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. A Macy's recuou 2,4%, apesar de elevar suas projeções anuais após um desempenho mais forte das redes Bloomingdale's e Bluemercury.

A Apple avançou 1,1%, um dia depois de apresentar o Duo, seu primeiro iPhone dobrável, com preço inicial de US$ 1.999. O movimento contrariou a tendência predominante entre as principais empresas de tecnologia.

Com o petróleo elevado, os juros futuros apontando para uma possível alta do Fed e o IPC ainda por ser divulgado, o mercado entra na reta final antes da reunião de setembro com pouco espaço para ignorar novos sinais de pressão sobre os preços. O dado desta sexta-feira pode ser decisivo para definir se a inflação está apenas mostrando resistência temporária ou se voltou a ameaçar a trajetória de desinflação nos Estados Unidos. 

 

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Quinta, 10 Setembro 2026

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