Treasury de 30 anos sobe ao maior nível desde 2007 enquanto Wall Street reage aos balanços de Microsoft e Meta
Juros de longo prazo avançam com dúvidas sobre inflação e política do Fed, enquanto resultados de tecnologia dividem investidores
Os mercados globais tentaram se recuperar nesta quinta-feira, enquanto os investidores avaliavam os resultados de Microsoft e Meta e acompanhavam a alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos. O rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos atingiu 5,244%, o maior nível em 19 anos.
A alta dos rendimentos ocorre um dia após o Federal Reserve manter os juros inalterados, em uma decisão marcada por divergências entre os dirigentes. Três membros do banco central defenderam uma alta, aumentando as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária.
As expectativas para setembro também mudaram. Segundo a ferramenta FedWatch, a probabilidade de uma alta de juros nessa reunião subiu para 63,2%, contra 57,3% na semana anterior.
No setor de tecnologia, os resultados da Microsoft ajudaram a aliviar parte das preocupações sobre os elevados investimentos em inteligência artificial. As ações da empresa avançaram mais de 9% no pré-mercado após a companhia afirmar que espera continuar gerando caixa até o ano fiscal de 2027.
Na direção oposta, a Meta caiu mais de 8% depois de seus resultados evidenciarem o peso dos investimentos em infraestrutura de IA sobre as contas da empresa. O contraste reforçou a percepção de que o mercado está cada vez mais exigente em relação ao retorno dos bilhões de dólares destinados à tecnologia.
Os futuros do Nasdaq 100 subiram cerca de 1,3%, enquanto os do S&P 500 e do Dow Jones avançaram moderadamente. Na Europa, o índice STOXX 600 também operava em alta.
Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a ser um dos principais riscos para os mercados. O Brent permanece próximo de US$ 90 por barril, depois da escalada das tensões no Oriente Médio e dos riscos de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O cenário coloca o Federal Reserve diante de um desafio maior: a inflação pode voltar a acelerar por causa de um choque de oferta de energia, enquanto juros mais altos podem pressionar ainda mais as empresas de tecnologia e os investimentos em inteligência artificial.
Comentários: