Mercados globais sobem, mas inflação e petróleo mantêm investidores em alerta
Ações recuperam parte das perdas, enquanto alta dos rendimentos dos títulos e riscos geopolíticos seguem pressionando as expectativas para os juros
As bolsas globais encerraram a sexta-feira em recuperação moderada, mas o mercado segue atento ao impacto da alta do petróleo sobre a inflação e à possibilidade de novos aumentos de juros por parte dos principais bancos centrais.
Na Europa, o STOXX 600 avançou 0,3%, recuperando parte das perdas da sessão anterior. Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq e do S&P 500 também indicaram abertura positiva, impulsionados pelos resultados da Intel, que surpreendeu positivamente o mercado.
Apesar da melhora nas bolsas, o cenário continua pressionado pelo conflito no Oriente Médio. O Brent recuou para US$ 97,69 por barril após superar US$ 102 na quinta-feira, mas permanece em patamar elevado devido aos ataques dos houthis contra petroleiros sauditas e às tensões envolvendo EUA e Irã.
A escalada dos preços da energia reforçou as preocupações com a inflação e elevou os rendimentos dos títulos públicos. O rendimento dos Treasuries de 10 anos atingiu 4,71%, enquanto os títulos de 30 anos permanecem próximos das máximas desde 2007.
O mercado também revisou as apostas para a política monetária. Os investidores já atribuem cerca de 33% de probabilidade a uma alta de juros pelo Federal Reserve na próxima reunião, enquanto uma elevação em setembro já é amplamente precificada. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros inalterados, mas o mercado continua esperando um novo aumento nas próximas reuniões.
No setor de tecnologia, os investidores seguem cautelosos após os balanços de Alphabet e Tesla, que reacenderam dúvidas sobre o retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial. Em contrapartida, a Intel ajudou a melhorar o sentimento do mercado após divulgar resultados acima das expectativas.
No mercado de câmbio, o dólar caminha para sua maior valorização semanal em cerca de um mês, enquanto o iene permanece próximo das mínimas em 40 anos, aumentando as expectativas por uma possível intervenção das autoridades japonesas.
Enquanto isso, os investidores seguem divididos entre a expectativa por novos resultados corporativos e os riscos de uma inflação mais persistente, alimentada pelo petróleo e pelas tensões geopolíticas.
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