Dólar recua antes da ata do Fed, enquanto mercado monitora juros e petróleo
Moeda americana perde força diante de uma pausa na alta dos rendimentos dos Treasuries, enquanto investidores aguardam novas pistas sobre os juros e acompanham a pressão do petróleo sobre a inflação
O dólar recuou frente às principais moedas nesta quarta-feira, enquanto os investidores acompanhavam uma trégua na pressão sobre os títulos do Tesouro americano e aguardavam a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve.
Com uma agenda econômica mais fraca nesta semana, a ata do FOMC ganhou importância para os mercados. O documento deve oferecer novas pistas sobre a avaliação dos dirigentes do Fed em relação à inflação, ao mercado de trabalho e à trajetória dos juros.
O cenário ocorre em um momento de maior incerteza para a política monetária americana. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, tem demonstrado cautela em relação às perspectivas para as taxas, enquanto as novas tensões no Oriente Médio aumentam o risco de uma pressão adicional sobre os preços de energia.
No mercado de câmbio, o euro avançou 0,31%, para US$ 1,1611, permanecendo próximo da máxima de dois meses registrada no início da semana. A libra esterlina também ganhou força, subindo 0,22%, para US$ 1,3562, após dados mostrarem que a inflação britânica em julho ficou dentro das expectativas.
O iene japonês também se valorizou. A moeda subiu 0,35%, para 159,04 por dólar, afastando-se novamente do nível de 160 ienes por dólar, uma marca acompanhada de perto pelos investidores diante das preocupações com uma possível intervenção das autoridades japonesas.
Com esses movimentos, o índice do dólar caiu 0,29%, para 99,36.
A melhora no mercado de câmbio ocorreu paralelamente a uma redução da pressão sobre os títulos americanos. O rendimento do Treasury de 10 anos recuou para 4,696%, enquanto o rendimento do título de 30 anos caiu para 5,283%, depois de ter atingido o maior nível em quase duas décadas.
Apesar da queda, os rendimentos continuam elevados. Para os investidores, uma nova aceleração poderia voltar a provocar pressão sobre outros mercados financeiros, especialmente ações de tecnologia e moedas.
O rendimento do Treasury de 10 anos entre 4,8% e 5% é visto como uma zona particularmente importante. Uma alta para além desse intervalo poderia aumentar a volatilidade e pressionar as avaliações das empresas de tecnologia, que são mais sensíveis às taxas de juros de longo prazo.
A atenção agora se concentra na ata da reunião do Fed, que será divulgada às 15h, pelo horário de Brasília. O documento poderá ajudar a esclarecer o grau de divisão entre os dirigentes do banco central sobre os próximos passos da política monetária.
Dados recentes contribuíram para reduzir as expectativas de novas altas de juros. A economia americana apresentou sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, enquanto os indicadores de inflação divulgados em julho vieram mais moderados.
Esse cenário reduziu a vantagem de rendimento que vinha favorecendo o dólar e ajudou a explicar a perda de força da moeda americana nas últimas sessões.
Ainda assim, existe um importante fator de risco: o petróleo.
O impasse entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar os preços da commodity, que alcançaram o maior nível em quase três semanas. O mercado teme que uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo e a instabilidade no Estreito de Ormuz aumentem os custos de energia e reacendam as pressões inflacionárias.
As versões de Washington e Teerã sobre a situação do estreito também permanecem divergentes. Enquanto o governo americano afirmou que a passagem estava aberta, o Irã declarou que o Estreito de Ormuz continuava fechado à navegação.
Essa incerteza cria um dilema para os mercados. Inflação mais fraca e uma economia em desaceleração favorecem uma política monetária menos restritiva, mas petróleo mais caro pode dificultar a queda da inflação e limitar o espaço para cortes ou manutenção prolongada dos juros.
Em outros mercados cambiais, o dólar canadense avançou ligeiramente para US$ 1,3870 depois que Donald Trump anunciou uma suspensão de três dias na aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses, após os dois países sinalizarem um acordo.
Agora, o mercado aguarda a ata do Fed em busca de sinais sobre a direção dos juros americanos. Ao mesmo tempo, o comportamento dos Treasuries, do petróleo e das tensões no Oriente Médio continuará sendo determinante para o dólar e para os demais ativos financeiros.
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