Tarifas de Trump derrubam futuros de Wall Street e pressionam dólar
Nova taxa de 15% anunciada após decisão da Suprema Corte aumenta incerteza comercial e impulsiona ouro e ativos de proteção
Os futuros de Wall Street e o dólar caíram nesta segunda-feira (23), após o presidente Donald Trump anunciar uma nova tarifa de 15%, reacendendo o movimento de venda de ativos americanos e ampliando a incerteza sobre a política comercial dos EUA. Na sexta-feira, a Supreme Court of the United States derrubou as tarifas emergenciais impostas anteriormente, levando Trump a anunciar inicialmente uma taxa de 10% para todos os países, posteriormente elevada para 15%, em um cenário classificado por analistas como volátil e imprevisível.
Os futuros do S&P 500 recuavam 0,2%, enquanto os do Nasdaq caíam 0,4%, após perdas mais intensas no início das negociações. Na Europa, o índice STOXX 600 perdia 0,3%, com o DAX em queda de 0,5% e o FTSE 100 praticamente estável, refletindo a dificuldade dos mercados em precificar os efeitos das novas tarifas sobre cadeias globais e exportadores europeus.
No câmbio, o dólar caiu 0,14% frente ao iene e 0,22% em relação ao franco suíço, enquanto o euro avançava para US$ 1,1799. O ouro subia 1%, a US$ 5.153 a onça, e a prata ganhava 2,8%, em movimento típico de busca por proteção diante da incerteza comercial e geopolítica.
Na Ásia, o desempenho foi misto, mas com viés positivo. O índice Hang Seng Index saltou 2,53%, impulsionado pela expectativa de que a China possa ser beneficiada por uma eventual revisão tarifária após a decisão judicial. O Nikkei 225 permaneceu fechado devido a feriado, enquanto contratos futuros indicaram leve recuo.
Segundo o Laboratório de Orçamento de Yale, a tarifa efetiva média deve cair para 13,7% após o novo anúncio, ante 16% antes da decisão da Suprema Corte. Caso expirem após 150 dias, como prevê a Lei de Comércio de 1974, a taxa poderá recuar para 9,1%. No mercado de commodities, o petróleo Brent cedia 0,6%, a US$ 71,31 o barril, enquanto o rendimento do Treasury de 10 anos recuava para 4,078%, indicando busca moderada por segurança.
Analistas afirmam que a volatilidade deve persistir nas próximas sessões, à medida que investidores tentam identificar vencedores e perdedores do novo regime tarifário e medir seus impactos sobre crescimento, inflação e fluxos globais de capital.
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