Ouro perde força após máxima de dois meses
Investidores aguardam novos dados de inflação dos EUA, enquanto juros e incertezas sobre o Irã limitam o avanço do metal
O ouro se estabilizou nesta terça-feira, depois de atingir a maior cotação em mais de dois meses, enquanto os investidores aguardam novos dados de inflação dos Estados Unidos em busca de sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O ouro à vista chegou a US$ 4.434,84 por onça, maior nível desde 5 de junho, antes de devolver os ganhos e ficar praticamente estável, cotado a US$ 4.386,13. Os contratos futuros nos EUA, por outro lado, avançaram 0,6%, para US$ 4.444,70.
A atenção agora está voltada para os indicadores de preços americanos. O índice de preços ao consumidor (CPI) será divulgado na quarta-feira, seguido pelo índice de preços ao produtor (PPI) na quinta-feira. Os números podem alterar as expectativas para a política monetária do Fed.
O mercado atualmente precifica uma probabilidade de 48% de aumento dos juros em setembro, acima dos 44% registrados na segunda-feira, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
O movimento dos juros é especialmente importante para o ouro porque o metal não gera rendimento. Quando as taxas sobem, ativos de renda fixa tendem a se tornar mais atrativos, aumentando o custo de oportunidade de manter posições em ouro.
Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos também subiram nesta terça-feira e atingiram o maior nível em mais de uma semana, pressionando o metal.
Além da inflação, o cenário geopolítico continua no radar. O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu às condições apresentadas pelo Irã para um possível acordo de paz exigindo que Teerã pague indenizações pelas mortes provocadas por guerras, ataques e protestos.
A declaração aumentou a incerteza em torno das negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte global de energia.
Apesar das pressões de curto prazo, analistas avaliam que o cenário para os metais preciosos começa a mostrar sinais de melhora. A demanda estrutural continua oferecendo suporte aos preços, enquanto investidores ocidentais voltam gradualmente ao mercado.
Entre os demais metais preciosos, a prata caiu 0,8%, para US$ 65,20 por onça, enquanto a platina subiu 1,1%, para US$ 1.772,05. O paládio recuou 0,3%, para US$ 1.379,08.
Agora, o mercado aguarda os dados de inflação dos EUA para definir se a recente alta do ouro terá espaço para continuar ou se os juros voltarão a pesar sobre o metal.
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