Iene ganha força e dólar perde espaço com petróleo acima de US$ 100
Moeda japonesa acumula alta de 4% em setembro antes da reunião do Banco do Japão, enquanto avanço do petróleo aumenta a cautela nos mercados globais
O iene japonês atingiu nesta quarta-feira (9) a maior cotação em sete meses diante do dólar, enquanto a moeda americana perdeu força com os investidores acompanhando a escalada dos preços do petróleo e os próximos passos dos principais bancos centrais.
O movimento ganhou força depois que o petróleo Brent avançou quase 3% e voltou a superar US$ 100 por barril, pela primeira vez desde o fim de julho. A alta ocorre em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio e aumenta a preocupação dos mercados com os possíveis impactos dos preços de energia sobre a inflação global.
O dólar recuava diante do iene, que chegou a subir 0,4% no dia, para cerca de 153,38 ienes por dólar, depois de atingir 152,89 ienes na sessão anterior. Em setembro, a moeda japonesa já acumula valorização de aproximadamente 4%, desempenho que chama atenção especialmente antes da próxima reunião do Banco do Japão.
A força do iene também começa a alterar as condições para uma das estratégias mais utilizadas no mercado de câmbio: o carry trade. A operação consiste em tomar recursos em moedas com juros baixos, como o iene, para investir em ativos denominados em moedas que oferecem retornos maiores. Quando o iene se valoriza rapidamente, a operação se torna menos atraente e pode provocar ajustes nas posições dos investidores.
As expectativas em torno do Banco do Japão são um dos principais fatores por trás do movimento. O mercado espera que a instituição eleve os juros em 0,25 ponto percentual na reunião dos dias 17 e 18 de setembro. A decisão, porém, dependerá da sinalização do presidente do banco central japonês, Kazuo Ueda, sobre a disposição de acelerar o aperto monetário.
Outro elemento importante é a possibilidade de repatriação de recursos por investidores japoneses, além da pressão do governo dos Estados Unidos por uma moeda japonesa mais forte.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, voltou a defender essa possibilidade e afirmou que os investidores deveriam considerar os riscos de apostar contra o iene. As declarações ocorrem depois de uma intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão no mercado de câmbio no fim de julho, destinada a sustentar a moeda japonesa.
Enquanto o iene ganha espaço, o dólar permanece pressionado também pelas expectativas em torno do Federal Reserve. As apostas do mercado apontam atualmente para uma probabilidade próxima de 60% de uma alta dos juros americanos na próxima semana, cenário que ainda depende dos próximos dados de inflação.
A alta do petróleo adiciona uma nova variável à decisão. Energia mais cara pode dificultar a desaceleração da inflação e obrigar o Fed a manter uma postura mais restritiva por mais tempo. Ao mesmo tempo, o aumento dos rendimentos dos títulos americanos de longo prazo pode limitar parte da queda do dólar ao tornar os ativos denominados na moeda mais atrativos.
Para estrategistas do OCBC, uma mudança mais clara na trajetória do dólar dependerá principalmente dos próximos indicadores de inflação dos Estados Unidos. Os dados serão divulgados na sexta-feira e devem ajudar a definir as expectativas para as reuniões dos bancos centrais na próxima semana.
O euro avançava 0,18%, para US$ 1,1641, aproximando-se da máxima de duas semanas antes da decisão esperada do Banco Central Europeu. Já o dólar canadense permanecia praticamente estável, mesmo após novas medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos contra produtos canadenses.
Na China, o yuan era negociado próximo da máxima de três anos e meio em relação ao dólar, apoiado por dados de inflação melhores do que o esperado e pelo crescimento das exportações.
Com o petróleo novamente acima de US$ 100, o mercado cambial passa a acompanhar simultaneamente guerra, inflação e juros. O comportamento dessas três variáveis deverá determinar se a recente recuperação do iene terá continuidade e até que ponto o dólar conseguirá recuperar espaço diante das principais moedas globais.
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