Wall Street recua com tensão entre EUA e Irã, mas tecnologia limita as perdas
Mercado americano opera dividido nesta segunda-feira, enquanto o risco geopolítico pesa sobre os índices e o avanço das ações de tecnologia mantém o Nasdaq próximo das máximas históricas
Wall Street começou a semana em ritmo misto. O S&P 500 e o Dow Jones recuaram, pressionados pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, enquanto o Nasdaq avançou, sustentado pela força das empresas de tecnologia e pelo otimismo renovado em torno dos investimentos em inteligência artificial.
O ambiente geopolítico voltou ao centro das atenções depois que um alto funcionário iraniano afirmou que Teerã poderá intensificar as ações no Estreito de Ormuz e em outras regiões caso as negociações com Washington fracassem. A possibilidade de uma escalada elevou a cautela entre os investidores e ajudou a sustentar os preços do petróleo.
Os contratos futuros do Brent subiam cerca de 0,3%, acompanhando também a alta das ações do setor de energia do S&P 500.
Apesar da pressão geopolítica, o setor de tecnologia continuou oferecendo suporte ao mercado. As ações da Western Digital avançaram 6,3%, enquanto as da Sandisk dispararam 10%, liderando os ganhos entre os papéis de tecnologia do índice.
O setor de tecnologia do S&P 500 avançava 0,6%, ajudando a limitar a queda do índice e mantendo o Nasdaq próximo de sua máxima histórica.
O mercado também começa a olhar para a próxima temporada de resultados, especialmente para a Nvidia, cujos números serão divulgados na próxima semana. A empresa, atualmente a mais valiosa do mundo, será observada de perto pelos investidores em busca de sinais de que o forte ciclo de investimentos em inteligência artificial ainda tem espaço para continuar.
A expectativa ganhou força depois que a Anthropic, que se prepara para uma possível abertura de capital, foi reportada como tendo uma projeção de receita entre US$ 190 bilhões e US$ 200 bilhões para 2028. O número reforçou a percepção de que o mercado de IA pode estar entrando em uma fase de expansão ainda maior.
A discussão sobre os retornos dos investimentos em inteligência artificial também começa a mudar. Segundo analistas, resultados corporativos sólidos e previsões de demanda resiliente estão ajudando a reduzir os receios de que o atual ciclo de investimentos possa resultar em uma bolha seguida por uma forte correção.
Às 11h32, pelo horário de Brasília, o Dow Jones recuava 0,37%, aos 53.533,94 pontos. O S&P 500 caía 0,13%, para 7.775,25 pontos, enquanto o Nasdaq avançava 0,12%, aos 26.761,55 pontos.
A pressão sobre o Dow vinha principalmente das quedas de empresas como Microsoft e Sherwin-Williams.
Mesmo com a cautela do início da semana, o cenário de inflação mais comportada continua sendo um dos principais fatores de sustentação para os ativos de risco. Dados divulgados na semana passada ajudaram os investidores a reduzir as apostas em uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
Ainda assim, o cenário para a política monetária não é totalmente definido. A ferramenta FedWatch, da CME, indicava uma probabilidade próxima de 31% de uma alta de 25 pontos-base em setembro. O Wells Fargo Investment Institute, por sua vez, passou a projetar uma alta de juros ainda neste ano, abandonando sua previsão anterior de manutenção das taxas.
Além da Nvidia, os investidores acompanharão nesta semana os resultados de grandes empresas do varejo, como Walmart e Home Depot, que ainda não divulgaram seus números nesta temporada.
No mercado acionário, outro destaque foi a Vista Energy, cujas ações negociadas nos Estados Unidos subiram 5,1% após a divulgação de que o investidor Peter Thiel adquiriu uma participação de 1% na companhia.
O pregão, portanto, reúne dois movimentos distintos: a cautela provocada pelo conflito entre EUA e Irã e a persistência do apetite por tecnologia e inteligência artificial. Enquanto o risco geopolítico limita o avanço dos índices, os resultados corporativos e a expectativa em torno da IA continuam impedindo uma deterioração mais forte do sentimento dos investidores.
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