Wall Street avança com queda nos rendimentos dos Treasuries
Os principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta quarta-feira, apoiados pela queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O movimento trouxe alívio aos investidores após a forte pressão registrada no mercado de renda fixa na sessão anterior e ajudou a sustentar o apetite por ativos de risco.
O Dow Jones subiu 0,22%, para 53.463,05 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,21%, aos 7.707,98 pontos. O Nasdaq ganhou 0,16%, encerrando aos 26.331,09 pontos.
A melhora ocorreu depois que o rendimento do Treasury de 30 anos recuou, um dia após atingir o maior nível desde 2007. O rendimento do título de 10 anos também caiu, reduzindo parte da pressão sobre ações de crescimento, especialmente empresas de tecnologia e inteligência artificial.
O movimento ganhou força depois que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que pretende dobrar o volume de algumas operações de recompra de títulos de longo prazo, com o objetivo de reforçar a liquidez do mercado. A medida trouxe algum alívio aos investidores, embora não tenha eliminado as preocupações relacionadas à inflação, ao elevado endividamento público e à trajetória dos juros.
As taxas mais altas continuam sendo um dos principais riscos para as empresas de tecnologia. O aumento dos rendimentos dos Treasuries eleva o custo de financiamento e reduz o valor presente dos lucros esperados, o que ajuda a explicar a forte pressão sobre ações ligadas à inteligência artificial nos últimos pregões.
Apesar da recuperação dos índices, os investidores também avaliaram a ata da reunião de julho do Federal Reserve. O documento mostrou que vários dirigentes estavam preparados para apoiar uma alta dos juros caso a inflação não avance de maneira consistente em direção à meta de 2%.
A reação do mercado à ata, porém, foi limitada. O foco permaneceu principalmente no comportamento dos títulos americanos e na possibilidade de que os juros permaneçam elevados por mais tempo. Na avaliação dos investidores, a queda dos rendimentos nesta quarta-feira representa um alívio, mas ainda não muda completamente o cenário de pressão sobre os ativos de risco.
O grande destaque individual do pregão foi a Moderna. As ações da fabricante de vacinas dispararam quase 177%, depois que a empresa anunciou resultados positivos de um estudo de fase final de sua terapia personalizada de mRNA contra o câncer, desenvolvida em parceria com a Merck.
O tratamento apresentou redução no risco de recorrência e disseminação do melanoma, provocando forte reação em todo o setor de biotecnologia. As ações da Merck subiram 12,6%, enquanto a BioNTech avançou 22% e a Novavax ganhou 10,8%.
A valorização dessas empresas levou o setor de saúde do S&P 500 a subir 3,5%, registrando seu maior ganho diário desde abril de 2025. O segmento também atingiu uma nova máxima histórica e foi o principal responsável pelo avanço do índice entre os grandes setores da bolsa americana.
O desempenho positivo da saúde ajudou a compensar a fraqueza em parte do setor de tecnologia. O índice de tecnologia da informação do S&P 500 caiu 0,7%, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia recuou 2%.
Entre os destaques positivos da tecnologia, a Marvell Technology subiu 9,9% após anunciar que ajudará o Google no desenvolvimento de chips personalizados. A empresa também concedeu à gigante de tecnologia o direito de adquirir uma participação que pode chegar a US$ 12,2 bilhões.
Os resultados corporativos também movimentaram o pregão. As ações da Target avançaram 4,3% depois que a varejista elevou sua previsão de vendas anuais. A Lowe's ganhou 2%, mesmo após reduzir sua projeção de crescimento das vendas, enquanto a Estée Lauder disparou 16,3% após projetar lucro anual acima das expectativas de Wall Street.
No mercado de commodities, o petróleo continuou no radar dos investidores diante das incertezas envolvendo o Oriente Médio. As perspectivas para um acordo entre Estados Unidos e Irã permanecem incertas, enquanto os dois países apresentam versões diferentes sobre a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
A possibilidade de uma nova escalada na região mantém o risco de alta dos preços da energia e pode dificultar o trabalho dos bancos centrais no combate à inflação. Para os mercados, isso significa que, mesmo com a queda dos rendimentos nesta quarta-feira, o cenário de juros elevados ainda não está completamente afastado.
Wall Street encerrou o dia em uma posição mais confortável do que na sessão anterior, mas os principais riscos continuam presentes. Inflação, juros, petróleo e investimentos em inteligência artificial permanecem no centro das decisões dos investidores e devem continuar determinando o rumo das bolsas americanas nas próximas sessões.
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