Tecnologia afunda Wall Street, enquanto petróleo e juros aumentam pressão sobre as ações
S&P 500 e Nasdaq recuam para mínimas de duas semanas com forte queda dos semicondutores, enquanto o avanço do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries reacende os temores sobre inflação e juros
Wall Street entrou em uma sessão de forte aversão ao risco nesta terça-feira. S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuaram para as menores cotações em duas semanas, pressionados principalmente pela queda das empresas de tecnologia e semicondutores. O movimento ganhou força em meio à combinação de petróleo mais caro, rendimentos dos títulos do governo em alta e novas incertezas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã.
As empresas de tecnologia foram as principais responsáveis pela pressão sobre os índices. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu 5,4%, enquanto ações ligadas ao armazenamento de dados e à fabricação de chips registraram perdas expressivas.
A Nvidia recuou 2,4%, enquanto a Meta caiu 3%. O setor de tecnologia da informação do S&P 500 perdeu 2,1%, tornando-se o segmento que mais pressionou o índice. Sandisk, Western Digital e Micron também ficaram entre os papéis mais afetados. O ETF Roundhill Memory, que acompanha empresas do setor de memória, chegou a cair 7,9%.
A forte correção ocorre justamente depois de um período de ganhos expressivos para o setor de tecnologia. Resultados corporativos robustos e expectativas de crescimento dos investimentos em inteligência artificial ajudaram o mercado americano a atingir máximas históricas no início do mês.
Agora, porém, os investidores começam a questionar quanto tempo esse movimento pode continuar diante da mudança no ambiente de juros. O rendimento do Treasury de 30 anos atingiu o maior nível desde 2007, enquanto o título de 10 anos permaneceu próximo de seu maior patamar desde janeiro de 2025. Rendimentos maiores aumentam o custo de financiamento das empresas e reduzem o valor presente dos lucros esperados no futuro, atingindo especialmente companhias de crescimento e tecnologia.
O petróleo também voltou a pressionar os mercados. Os contratos futuros do Brent subiram 1,2%, alcançando o maior nível em cerca de três semanas. A alta ocorreu após o Irã ameaçar adotar uma postura militar mais agressiva no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos rejeitaram a possibilidade de estender o atual acordo de cessar-fogo.
A possibilidade de um conflito prolongado aumenta o risco de interrupções no fornecimento de energia e, consequentemente, de uma nova pressão sobre a inflação global. Na contramão do mercado, o setor de energia do S&P 500 avançou 1,5%, ficando próximo de sua máxima histórica.
O aumento do petróleo também voltou a alterar as expectativas para a política monetária. Dados da LSEG indicavam que os investidores enxergavam 96% de probabilidade de pelo menos uma alta de 25 pontos-base nos juros americanos ainda neste ano.
Para setembro, entretanto, as apostas continuam menos agressivas após os dados de inflação divulgados na semana passada terem mostrado um cenário mais moderado. O próximo teste para o mercado será a ata da reunião de julho do Federal Reserve, prevista para quarta-feira. O documento poderá oferecer novas pistas sobre a avaliação dos dirigentes do banco central em relação à inflação, ao mercado de trabalho e à trajetória dos juros.
Enquanto isso, o aumento da volatilidade já começa a direcionar os investidores para setores considerados mais defensivos. O VIX, conhecido como índice do medo de Wall Street, atingiu o maior nível em aproximadamente duas semanas. Com isso, ações de saúde e bens de consumo essenciais passaram a receber maior atenção, tradicionalmente vistos como segmentos menos sensíveis às oscilações econômicas.
Às 11h36, pelo horário de Brasília, o Dow Jones caía 0,22%, aos 53.344,77 pontos. O S&P 500 recuava 0,62%, para 7.696,91 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 1,30%, aos 26.298,98 pontos. Apesar da queda generalizada, algumas empresas conseguiram escapar da pressão. Microsoft, Salesforce e Intuit estiveram entre os destaques positivos do setor de software, enquanto a Home Depot avançou 0,6% após superar as estimativas de vendas do segundo trimestre.
No horizonte, entretanto, o principal evento para o setor de tecnologia continua sendo o resultado da Nvidia, previsto para a próxima semana. Depois de meses de forte valorização impulsionados pela inteligência artificial, os números da companhia poderão ajudar a definir se o atual ciclo de investimentos em IA ainda possui força suficiente para sustentar o mercado.
Por enquanto, o cenário ficou mais difícil para Wall Street. Petróleo em alta, juros longos pressionados e tensão geopolítica criaram uma combinação que ameaça o apetite por risco justamente quando as ações americanas vinham negociando próximas de níveis recordes.
Comentários: