Petróleo pressiona títulos globais e reforça cautela dos mercados
Alta de mais de 3% no petróleo aumenta preocupações com a inflação, eleva os rendimentos dos títulos e fortalece as apostas em novos aumentos de juros pelas principais economias
Os mercados globais começaram a segunda-feira sob cautela, com uma nova onda de vendas nos títulos públicos após a escalada do petróleo reacender preocupações com a inflação. O Brent superou US$ 92 por barril depois da retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Golfo, elevando o risco de que os principais bancos centrais precisem manter uma política monetária mais restritiva.
Os custos de financiamento na Europa e no Japão avançaram para alguns dos níveis mais altos dos últimos anos. O rendimento dos títulos japoneses de dois anos atingiu o maior nível em 31 anos, enquanto os títulos de curto prazo da Alemanha e da França voltaram aos maiores patamares desde 2024.
A pressão sobre a renda fixa ganhou força depois do discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole. Ao reforçar que o combate à inflação ainda não terminou, Warsh levou investidores a aumentar as apostas em uma alta dos juros já na reunião de setembro.
Os mercados passaram a precificar cerca de 60% de probabilidade de aumento dos juros pelo Fed, acima dos níveis observados na semana passada. O Barclays passou a projetar duas altas de 25 pontos-base até o fim do ano, em setembro e dezembro, embora parte do mercado ainda espere que o banco central adie o próximo movimento.
As bolsas, por outro lado, tiveram uma sessão mais contida. O STOXX 600 europeu recuava 0,2%, enquanto os futuros de Wall Street operavam levemente no negativo. No Japão, o Nikkei caiu 0,1%, e o índice global MSCI também registrava pequena baixa.
Na China, o mercado acionário recuperou parte das perdas iniciais, apesar da pressão sobre as incorporadoras após novas mudanças regulatórias anunciadas por Pequim. O PMI industrial chinês avançou para 49,8 em agosto, contra 49,2 em julho, mas permaneceu abaixo do nível de 50 pontos que separa expansão de contração.
Agora, a atenção dos investidores se volta para os próximos dados dos Estados Unidos. O relatório de empregos de agosto, previsto para sexta-feira, e os números de inflação ao consumidor, que serão divulgados em 11 de setembro, devem ser decisivos para determinar se o Fed elevará os juros já no próximo mês.
As expectativas apontam para a criação de 58 mil vagas em agosto, após a queda de 23 mil empregos em julho, com a taxa de desemprego projetada em 4,1%. Um resultado significativamente mais fraco poderia reduzir as apostas em uma alta imediata dos juros.
A inflação também deve dominar a agenda de outros bancos centrais nesta semana. O mercado espera uma nova alta de juros na Nova Zelândia, enquanto o Canadá tende a manter sua taxa inalterada. O tema estará ainda no centro das discussões da reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20.
No mercado cambial, o iene continuava próximo de 160 por dólar. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a movimentação da moeda japonesa permanece controlada, reduzindo as expectativas de uma nova intervenção conjunta entre Washington e Tóquio.
Os títulos do Tesouro americano também permaneciam pressionados. O rendimento dos papéis de dois anos estava em 4,34%, após avançar quase 12 pontos-base na sexta-feira, enquanto o rendimento dos títulos de 30 anos permanecia próximo de 5,20%.
O euro operava perto de US$ 1,16, enquanto o ouro se mantinha em torno de US$ 4.451 por onça. O metal acumulava valorização próxima de 10% em agosto e caminhava para seu melhor desempenho mensal desde janeiro.
O fechamento de agosto, portanto, encontra os mercados diante de uma combinação desconfortável: petróleo em alta, inflação ainda persistente e bancos centrais cada vez menos dispostos a sinalizar uma flexibilização monetária. A próxima rodada de dados econômicos deve definir se essa pressão continuará a se transformar em juros mais altos.
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