Petróleo dispara rumo aos US$ 110 e bolsas globais recuam após nova ameaça de Trump ao Irã
Escalada no conflito reacende temor de estagflação e leva investidores de volta à defensiva
Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta quinta-feira, aproximando-se da marca de US$ 110 por barril, enquanto bolsas globais e títulos recuaram após o presidente dos EUA, Donald Trump, endurecer o discurso sobre o conflito no Oriente Médio e indicar que os ataques ao Irã continuarão nas próximas semanas.
O Brent avançou mais de 7%, superando os US$ 109, depois que Trump afirmou em pronunciamento que os EUA agirão "com extrema força", frustrando as expectativas do mercado de uma solução rápida para a guerra. A nova sinalização foi suficiente para recolocar os investidores em postura defensiva, reacendendo o temor de inflação persistente e desaceleração econômica.
A reação foi imediata nos ativos de risco. Os futuros de Wall Street apontaram quedas entre 1,4% e 1,9%, enquanto a Ásia absorveu o impacto mais intenso, com o Nikkei recuando 2,4% e o Kospi caindo 4,7%, pressionados principalmente por empresas de tecnologia e fabricantes de chips, mais sensíveis ao custo de energia.
Na Europa, o movimento também foi de cautela, com bolsas em baixa e forte busca por proteção cambial. O dólar voltou a se fortalecer como moeda de refúgio, levando o euro para US$ 1,1526 e pressionando a libra abaixo de US$ 1,32.
O centro das preocupações segue sendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Sem sinais concretos de reabertura rápida da passagem, o mercado voltou a precificar um choque prolongado de oferta, elevando os riscos de um cenário de estagflação global.
Os rendimentos dos títulos soberanos também subiram, refletindo a leitura de que bancos centrais poderão manter juros elevados por mais tempo diante do novo impulso inflacionário provocado pela energia.
Em contrapartida, o setor de petróleo e gás foi a exceção positiva. Ações de gigantes como Exxon Mobil e Chevron avançaram cerca de 3%, mantendo o segmento como um dos poucos vencedores desde o início do conflito.
Com o WTI também orbitando os US$ 109, o mercado segue totalmente orientado pelo noticiário geopolítico. A avaliação predominante é de que, sem qualquer sinal tangível de desescalada, investidores devem permanecer posicionados de forma mais conservadora nas próximas sessões.
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