Minuta de acordo para reabertura do Estreito de Ormuz pressiona preços e reduz temores sobre oferta global
Os preços do petróleo ampliaram as perdas nesta quarta-feira, após a televisão estatal iraniana informar ter tido acesso a uma minuta preliminar de acordo entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.
O movimento reforçou o sentimento de alívio nos mercados de energia, que já observavam aumento no tráfego de petroleiros pela região estratégica. A notícia acabou superando preocupações recentes envolvendo acusações iranianas de violação do cessar-fogo pelos EUA e relatos de uma explosão próxima à costa de Omã.
O Brent caiu 3,7%, para US$ 95,92 por barril, enquanto o petróleo americano WTI recuou 5,6%, para US$ 88,70. Durante o pregão, ambos atingiram os menores níveis em mais de um mês, apagando totalmente os ganhos registrados na sessão anterior.
Segundo a imprensa iraniana, o esboço prevê a retirada de forças militares americanas das proximidades do Irã e o fim do bloqueio naval, com a administração do tráfego no Estreito de Ormuz ficando sob responsabilidade iraniana em coordenação com Omã.
Analistas afirmam que o mercado continua reagindo principalmente às manchetes relacionadas ao conflito. O aumento gradual da circulação de navios pela rota marítima — responsável por parcela relevante do comércio global de petróleo — reforçou a percepção de que a crise de abastecimento pode começar a diminuir.
Apesar do recuo dos preços, ainda permanecem dúvidas sobre a velocidade de um eventual acordo definitivo. O Irã segue afirmando que um entendimento formal não é iminente, enquanto restrições ao fluxo de petróleo pelo estreito continuam reduzindo os estoques globais.
O Estreito de Ormuz permanece no centro das atenções do mercado energético. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE), o fechamento efetivo da rota interrompeu mais de 14 milhões de barris diários de petróleo do Oriente Médio, tornando qualquer avanço diplomático um fator decisivo para os preços globais.