Por Maria Eduarda Cabral em Quarta, 27 Mai 2026
Categoria: Mercados

Petróleo despenca com avanço nas negociações entre EUA e Irã

Minuta de acordo para reabertura do Estreito de Ormuz pressiona preços e reduz temores sobre oferta global 

Os preços do petróleo ampliaram as perdas nesta quarta-feira, após a televisão estatal iraniana informar ter tido acesso a uma minuta preliminar de acordo entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

O movimento reforçou o sentimento de alívio nos mercados de energia, que já observavam aumento no tráfego de petroleiros pela região estratégica. A notícia acabou superando preocupações recentes envolvendo acusações iranianas de violação do cessar-fogo pelos EUA e relatos de uma explosão próxima à costa de Omã.

O Brent caiu 3,7%, para US$ 95,92 por barril, enquanto o petróleo americano WTI recuou 5,6%, para US$ 88,70. Durante o pregão, ambos atingiram os menores níveis em mais de um mês, apagando totalmente os ganhos registrados na sessão anterior.

Segundo a imprensa iraniana, o esboço prevê a retirada de forças militares americanas das proximidades do Irã e o fim do bloqueio naval, com a administração do tráfego no Estreito de Ormuz ficando sob responsabilidade iraniana em coordenação com Omã.

Analistas afirmam que o mercado continua reagindo principalmente às manchetes relacionadas ao conflito. O aumento gradual da circulação de navios pela rota marítima — responsável por parcela relevante do comércio global de petróleo — reforçou a percepção de que a crise de abastecimento pode começar a diminuir.

Apesar do recuo dos preços, ainda permanecem dúvidas sobre a velocidade de um eventual acordo definitivo. O Irã segue afirmando que um entendimento formal não é iminente, enquanto restrições ao fluxo de petróleo pelo estreito continuam reduzindo os estoques globais.

O Estreito de Ormuz permanece no centro das atenções do mercado energético. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE), o fechamento efetivo da rota interrompeu mais de 14 milhões de barris diários de petróleo do Oriente Médio, tornando qualquer avanço diplomático um fator decisivo para os preços globais.

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