Mercados globais ampliam perdas com disparada da energia e temor inflacionário
Alta do petróleo e do gás após escalada no Oriente Médio derruba bolsas na Europa e Ásia, pressiona futuros de Wall Street e fortalece o dólar
A aversão ao risco voltou a dominar os mercados nesta terça-feira (03), com ações e títulos públicos em queda diante da forte alta nos preços da energia. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o petróleo e o gás natural a níveis que reacenderam o temor de uma nova onda inflacionária global.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu até 3,6% nas primeiras negociações e recuava cerca de 2,8%, a caminho da maior queda diária desde abril. Em Frankfurt, o DAX também operava sob forte pressão. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 cediam 1,4%, enquanto os do Nasdaq Composite recuavam 1,8%, sinalizando mais volatilidade em Wall Street após uma sessão instável na véspera.
Na Ásia, o principal índice da Coreia do Sul despencou 7,2%, liderando as perdas regionais e ampliando o movimento global de aversão ao risco.
O epicentro da turbulência está no mercado de energia. O petróleo Brent avançava 8,9%, para US$ 84,64 o barril, acumulando ganho superior a 16% na semana. O gás natural europeu saltou 34%, depois de já ter subido 39% no dia anterior. O movimento ocorre após o Irã ameaçar fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global, e diante da interrupção da produção de gás natural liquefeito no Catar, responsável por aproximadamente 20% da oferta mundial.
O aumento dos custos energéticos é interpretado por analistas como um choque predominantemente inflacionário. A disparada complica a trajetória de política monetária do Federal Reserve, que já enfrenta pressões vindas de tarifas e de uma economia ainda resiliente. Dados recentes do setor manufatureiro dos EUA mostraram aceleração nos preços pagos pelas fábricas, reforçando o risco de inflação persistente.
No mercado de juros, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram, com a taxa de dez anos subindo para 4,1%. Os contratos futuros indicam ampla probabilidade de manutenção das taxas na próxima reunião do Fed, marcada para 18 de março. O índice do dólar atingiu máxima de seis semanas, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros.
O ouro caiu 2,7%, a US$ 5.185,80 a onça, enquanto o Bitcoin recuou 2,2%, para US$ 67.871,41, em meio à volatilidade generalizada.
Investidores seguem avaliando a duração e a intensidade do conflito. Autoridades americanas e israelenses sinalizaram que a ofensiva não deve se arrastar por anos, mas episódios recentes aumentam a percepção de risco. Por ora, os mercados operam sob a premissa de que a principal variável a monitorar é o impacto duradouro da energia sobre a inflação global.
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