Ganhos em fundos multimercados refletem recuperação da Bolsa em setembro
Fundos tinham exposição limitada à renda variável brasileira até o fim de setembro, mês em que os retornos voltaram a aparecer nas carteiras
A maioria dos fundos multimercados com estratégia macro voltou a apresentar bons ganhos em setembro, impulsionados pela recuperação da Bolsa e pelas aplicações no exterior. Em um levantamento realizado com a ferramenta de pesquisa da Economatica, 155 de 223 fundos multimercados macro tiveram retorno acima do CDI do mês, de 1,08%. E o bom resultado pode se repetir, desta vez com a melhora dos mercados locais.
Alguns obtiveram ganhos bem acima da média, como o Adam Macro, da Adam Capital, com 5,75%, e o Parcitas Hedge, com 5,53% no mês, acumulando no ano 25,05% e 19,53%, respectivamente. "O Adam continua forte em empresas de tecnologia nos Estados Unidos, mas já para aplicações mais longas no Brasil não parece haver consenso", aponta Luigi Wis, especialista em investimentos. "Com um mês em que o Ibovespa subiu 5%, eu esperava uma captura maior dos multimercados. Será que vão ficar de fora da festa?", questiona.
Uma explicação para o impacto mais discreto da Bolsa nos multimercados em setembro pode ser a cautela diante do risco eleitoral. A maioria das casas diz estar posicionada para ganhar com a alta da Bolsa, mas optando por usar opções, e não comprando os papéis diretamente. Confirmada a alta, os fundos podem exercer as opções e comprar os papéis ou o índice por preços mais baixos. No cenário contrário, perdem apenas o prêmio pago pela opção. Essa estratégia ajuda a explicar a disparada no volume de opções do EWZ, fundo de índice (ETF) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, que hoje apresenta alta de 12%, sendo negociado a US$ 42,91 e superando os US$ 42,00, um dos níveis em que havia grande volume de opções de compra. "Tinha muita gente comprada no US$ 42,00, US$ 43,00 do EWZ", afirma Luciano Sousa, analista CNPI-T e operador de opções.
A aposta começou a ser testada nesta segunda-feira (5), quando o Ibovespa disparou para 207 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Poucos gestores já divulgaram seus relatórios do mês, mas é possível notar o impacto positivo da Bolsa brasileira e da alta dos juros americanos em algumas carteiras. Na Ibiúna, por exemplo, os ganhos vieram principalmente da alta dos juros nos países desenvolvidos e da inflação implícita nas taxas prefixadas no Brasil, além das ações, segundo relatório da gestora.
Para outubro, as principais apostas da Ibiúna no Brasil são em juros nominais curtos e longos, no real e na Bolsa brasileira via opções. No exterior, a gestora segue posicionada em juros americanos, ou seja, apostando na alta das taxas, e vendida em euro, enquanto mantém posições compradas em dólar, yuan e florim húngaro.
O bom desempenho em setembro, porém, não foi suficiente para compensar as perdas de grande parte das gestoras no início do ano. A maioria segue abaixo do CDI acumulado até setembro, de 10,51%, com exceção dos fundos da Adam, Parcitas, Genoa, que subiu 3,67% em setembro, e da Verde. Destas, apenas a Verde, de Luís Stuhlberger, ficou abaixo do CDI no mês, com rendimento de 0,33%, mas acumula 11,88% no ano.
No fim de setembro, Stuhlberger destacou que o fundo está 13% comprado em Bolsa brasileira, em parte por meio de opções, as chamadas call spreads, tanto de ações locais quanto do EWZ. "Se o Lula ganhar, perdemos apenas o prêmio da opção, mas se não, tem um upside de 7, 8, 9 por 1", disse, referindo-se a um potencial de ganho de sete a nove vezes o custo da operação. Outros 9% da carteira do Verde estão em Bolsa americana e mais uma parcela em títulos indexados à inflação nos Estados Unidos, "tudo hedgeado em reais". O fundo tem ainda cerca de 5% em ouro, 2% em prata e 15% em fundos de crédito privado.
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