Fed pressiona mercados, mas acordo entre EUA e Irã limita perdas globais
Investidores reavaliam o cenário de juros nos Estados Unidos enquanto a queda do petróleo e o avanço nas negociações com o Irã ajudam a reduzir parte da aversão ao risco
As bolsas globais operaram sem direção única nesta quinta-feira(18), divididas entre a nova sinalização mais dura do Federal Reserve e o alívio trazido pelo avanço do acordo entre Estados Unidos e Irã.
O principal fator de pressão veio da primeira reunião do Fed sob o comando de Kevin Warsh. Apesar da manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%, o mercado passou a enxergar uma probabilidade maior de alta nas taxas ainda este ano, o que fortaleceu o dólar e reduziu o apetite por ativos de risco.
Ao mesmo tempo, o acordo que amplia o cessar-fogo entre Washington e Teerã e garante a retomada da navegação no Estreito de Ormuz ajudou a derrubar os preços do petróleo. O barril recuou cerca de 2,8%, sendo negociado próximo dos US$ 77, no menor nível desde o início de março. A queda reduz preocupações inflacionárias ligadas à energia e traz alívio para economias dependentes de importações de petróleo.
Na Europa, o índice STOXX 600 recuou, pressionado principalmente pelas petroleiras. Shell, TotalEnergies e BP estiveram entre os destaques negativos da sessão. Já nos Estados Unidos, os futuros apontavam recuperação puxada pelas gigantes de tecnologia. Nvidia, Meta e Apple avançavam no pré-mercado, refletindo a volta do interesse dos investidores pelo setor.
No mercado de câmbio, o dólar ganhou força pelo segundo dia consecutivo. O euro e a libra perderam terreno diante da moeda americana, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro seguiram elevados após a decisão do Fed.
Embora o acordo com o Irã tenha reduzido parte das tensões geopolíticas, o foco dos investidores agora está concentrado na trajetória dos juros americanos. A avaliação predominante é que os próximos passos de Kevin Warsh serão determinantes para o comportamento dos mercados nos próximos meses.
Comentários: