Por Maria Eduarda Cabral em Terça, 24 Março 2026
Categoria: Mercados

Dólar volta a subir com incerteza sobre fim da guerra no Oriente Médio

Investidores retomam cautela diante de sinais contraditórios entre EUA e Irã, reforçando busca por proteção

O dólar recuperou força nesta terça-feira, refletindo a cautela dos investidores diante das dúvidas sobre um desfecho rápido para a guerra no Oriente Médio. Mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar avanços em possíveis negociações, o mercado segue desconfiado quanto à real evolução do cenário.

A moeda americana voltou a ganhar espaço após declarações contraditórias entre os dois lados. Enquanto Trump afirmou que houve conversas produtivas com o Irã, autoridades iranianas negaram qualquer tipo de negociação, aumentando a incerteza e limitando o apetite por risco global.

Esse ambiente reforça o papel do dólar como ativo de proteção, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica. O índice do dólar avançou levemente, revertendo parte das perdas da sessão anterior, e segue acumulando alta no mês.

Apesar de um breve alívio na volatilidade após as falas de Trump, analistas destacam que ainda é cedo para falar em mudança estrutural no sentimento do mercado. A percepção predominante é de que o cenário continua frágil e altamente dependente de novas manchetes.

Além disso, começam a surgir sinais de impacto econômico mais amplo. Dados recentes indicam desaceleração da atividade na Europa, sugerindo que os efeitos da guerra já começam a atingir o crescimento global.

Outro fator central segue sendo o mercado de energia. O conflito continua afetando o fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do mundo, mantendo os preços voláteis e pressionando as expectativas de inflação.

Com isso, os investidores reduziram ainda mais as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, enquanto outros bancos centrais, como na Europa e no Reino Unido, já enfrentam expectativas de possíveis altas nas taxas.

No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos americanos voltaram a subir, refletindo esse ajuste nas expectativas. No curto prazo, o comportamento do dólar seguirá diretamente ligado à evolução do conflito e ao impacto dos preços da energia sobre a inflação global. 

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