Dólar caminha para o melhor desempenho mensal em quase um ano
Moeda americana é impulsionada pelas expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve
O dólar iniciou a semana próximo de registrar seu melhor desempenho mensal em quase um ano, refletindo o fortalecimento das expectativas de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar novamente as taxas de juros nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a economia americana continua demonstrando resiliência e segue atraindo fluxos de capital para os mercados dos Estados Unidos.
O movimento também ocorre em meio à cautela dos investidores em relação ao conflito no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã trocaram novos ataques durante o fim de semana, antes de anunciarem um cessar-fogo e confirmarem uma nova rodada de negociações no Catar. A tensão geopolítica manteve os mercados atentos e contribuiu para sustentar os preços do petróleo.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas, permaneceu próximo de 101,34 pontos, muito perto da máxima de 13 meses registrada na semana anterior. Em junho, a moeda acumula valorização de aproximadamente 2,5%, o melhor resultado mensal desde julho de 2025.
O euro apresentou leve recuperação no dia, sendo negociado próximo de US$ 1,14, mas ainda caminha para fechar junho com uma desvalorização de 2,4%, após atingir recentemente seu menor nível em mais de um ano frente ao dólar.
Além das perspectivas de juros, o desempenho superior das bolsas americanas, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, continua atraindo investidores globais para ativos denominados em dólar.
Dados divulgados pelo mercado mostram que os investidores mantêm a maior posição comprada em dólar desde 2019, totalizando aproximadamente US$ 36,4 bilhões, evidenciando a forte confiança na moeda americana.
As atenções agora se voltam para a divulgação do relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, prevista para esta semana. O indicador poderá influenciar diretamente as expectativas para a política monetária do Fed. Atualmente, os mercados precificam praticamente 100% de chance de pelo menos uma alta de juros até o fim do ano, além de cerca de 50% de probabilidade de um segundo aumento.
No mercado cambial, o iene japonês permaneceu próximo de sua mínima em 40 anos, cotado ao redor de 161,86 por dólar, mantendo elevada a possibilidade de uma nova intervenção das autoridades japonesas para conter a desvalorização da moeda.
A libra esterlina ficou praticamente estável em torno de US$ 1,322, enquanto os investidores acompanham a disputa pela liderança do governo britânico. O favorito para substituir Keir Starmer, Andy Burnham, afirmou que qualquer novo plano econômico será conduzido com disciplina fiscal, mas evitou antecipar quem ocupará o cargo de ministro das Finanças.
Outro evento importante da semana será o Fórum Anual do Banco Central Europeu (BCE), que reúne os principais dirigentes das maiores autoridades monetárias do mundo. O destaque ficará para o painel de política monetária na quarta-feira, que contará com a participação do presidente do Fed, Kevin Warsh, cujos comentários serão acompanhados de perto pelos mercados em busca de novas sinalizações sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
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