Wall Street cai com petróleo em alta e apostas em um Fed mais rígido pressionam as ações
Confrontos entre Estados Unidos e Irã elevaram os preços do petróleo e reforçaram os temores de inflação, enquanto o mercado aumentou as apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve em setembro
Wall Street operava em queda nesta segunda-feira (31), pressionada pela alta dos preços do petróleo e pela crescente expectativa de que o Federal Reserve adotará uma postura mais rígida na próxima reunião.
Os confrontos militares entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar as tensões no Oriente Médio e ameaçaram o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O movimento impulsionou as cotações da commodity e reacendeu preocupações sobre uma nova pressão inflacionária.
Ao mesmo tempo, os investidores ainda avaliavam o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole. Na sexta-feira, Warsh reforçou que o banco central poderá precisar elevar os custos de empréstimos caso a inflação não avance de forma consistente em direção à meta de 2%.
Segundo o FedWatch da CME, a probabilidade de uma alta de juros em setembro superava 60%, ante 41,4% na semana anterior. Agora, os próximos dados econômicos — especialmente o relatório de empregos dos Estados Unidos, previsto para 4 de setembro — ganham ainda mais importância para a decisão do Fed.
Às 11h24, no horário de Nova York, o Dow Jones caía 0,65%, para 53.210,80 pontos. O S&P 500 recuava 0,46%, para 7.676,10 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 0,34%, para 26.312,74 pontos.
Apesar da queda da sessão, o S&P 500 e o Nasdaq ainda caminhavam para interromper dois meses consecutivos de perdas, enquanto o Dow Jones seguia a caminho do seu quinto mês consecutivo de ganhos.
O setor de energia foi uma das exceções, beneficiado pela valorização do petróleo. As ações do setor avançavam, enquanto praticamente todos os demais segmentos do S&P 500 operavam sob pressão.
Entre os destaques negativos, a PG&E despencava 19,4%, após preocupações relacionadas à exposição das operadoras de redes elétricas da Califórnia a responsabilidades ligadas a incêndios florestais.
Já o setor de tecnologia oferecia algum suporte ao mercado. A Nvidia subia 1,13%, enquanto Sandisk e Qualcomm avançavam 3,75% e 2,49%, respectivamente, mantendo o interesse dos investidores nos temas ligados à inteligência artificial e à infraestrutura digital.
A GameStop também chamava atenção, com alta de 4,5%, após anunciar que utilizaria recursos próprios para financiar parte de uma troca de dívida de US$ 1,4 bilhão, evitando uma nova emissão de ações e uma maior diluição dos acionistas.
Na Bolsa de Nova York, o número de ações em queda superava o de ações em alta por uma proporção de 2,26 para 1. Na Nasdaq, a relação era de 2,1 para 1, refletindo o tom predominantemente negativo da sessão.
O mercado encerra agosto diante de uma combinação desconfortável: petróleo mais caro, inflação ainda resistente e um Federal Reserve que passou a sinalizar maior disposição para manter — ou ampliar — o aperto monetário. Setembro começa com os investidores atentos aos próximos dados econômicos e à possibilidade de uma mudança concreta na trajetória dos juros americanos.
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