Petróleo perto de US$ 100 eleva temor de inflação e BCE mantém juros inalterados
Alta do petróleo impulsionada pelo conflito no Oriente Médio aumenta as expectativas de novos juros na Europa
Os mercados globais operaram com cautela nesta quinta-feira (23), após o petróleo Brent se aproximar de US$ 100 por barril, reacendendo as preocupações com a inflação. O movimento levou o Banco Central Europeu (BCE) a manter a taxa básica de juros em 2,25%, mas reforçando o discurso de que poderá voltar a elevar os juros caso a pressão sobre os preços persista.
A disparada do petróleo foi impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio. Os houthis, grupo aliado ao Irã, afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas, enquanto os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra alvos iranianos. O cenário aumentou os temores de interrupções no fornecimento global de energia.
Com isso, os rendimentos dos títulos públicos europeus avançaram. O título de 10 anos da Alemanha superou 3,2%, atingindo o maior nível desde 2011, refletindo a expectativa de juros elevados por mais tempo.
Após a decisão do BCE, os investidores passaram a enxergar uma probabilidade maior de um novo aumento dos juros na reunião de setembro, caso os preços da energia continuem pressionados.
No mercado de ações, as bolsas europeias recuaram. A fabricante de chips STMicroelectronics caiu cerca de 15%, enquanto os resultados da Alphabet e da Tesla não foram suficientes para animar Wall Street, apesar do anúncio de que o Google ampliará seus investimentos em inteligência artificial para US$ 200 bilhões neste ano.
Na Ásia, o cenário foi diferente. Empresas ligadas à cadeia de semicondutores, como Samsung e SK Hynix, impulsionaram os principais índices da região, refletindo o otimismo com a continuidade dos investimentos em infraestrutura de IA.
No mercado de câmbio, o iene japonês voltou a renovar a mínima em cerca de 40 anos frente ao dólar, mantendo o governo japonês em alerta para uma possível intervenção. Já o euro perdeu força após a decisão do BCE.
Com o petróleo próximo de US$ 100, os investidores seguem atentos aos impactos da alta da energia sobre a inflação, às próximas decisões dos bancos centrais e aos resultados das grandes empresas de tecnologia, que continuam sendo determinantes para o rumo dos mercados globais.
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