Ouro dispara com queda dos juros e avanço das negociações com o Irã
Metal precioso sobe quase 5%, rompe importante resistência técnica e é impulsionado pela queda dos rendimentos dos Treasuries, enfraquecimento do dólar e expectativa de avanço diplomático no Oriente Médio
O ouro registrou sua maior alta diária desde fevereiro nesta quarta-feira (5), impulsionado pela combinação de queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, enfraquecimento do dólar e aumento das expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que pode levar à reabertura do Estreito de Ormuz.
O ouro à vista avançou 4,4%, para US$ 4.256,85 por onça, após atingir a maior cotação desde 18 de junho. Os contratos futuros para dezembro também subiram 4%, para US$ 4.317,40.
Além do cenário macroeconômico favorável, o metal rompeu sua média móvel de 50 dias, um importante nível técnico acompanhado pelos investidores, reforçando o movimento de compra.
O mercado foi beneficiado pela queda do dólar para os menores níveis em seis semanas e pelo recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos. Como o ouro não oferece rendimento, juros mais baixos aumentam sua atratividade em relação aos ativos de renda fixa.
Outro fator de suporte veio da geopolítica. O presidente Donald Trump afirmou que seu governo teve "discussões muito boas" com o Irã ao longo do dia, alimentando a expectativa de uma possível solução para o conflito e para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Apesar da forte recuperação, o ouro ainda acumula perdas expressivas em relação aos recordes registrados no início do ano. O metal permanece cerca de 24% abaixo da máxima histórica alcançada em janeiro e aproximadamente 19% abaixo dos níveis observados no início da guerra com o Irã.
Segundo o Conselho Mundial do Ouro, a demanda dos bancos centrais no primeiro semestre de 2026 foi a menor desde 2022. Além disso, os ETFs lastreados em ouro registraram saída de 45 toneladas no segundo trimestre, período em que o metal sofreu sua maior queda trimestral desde 2013.
Analistas do JPMorgan avaliam que, com a demanda física mais fraca e compras moderadas dos bancos centrais, os fluxos para ETFs voltaram a exercer maior influência sobre a formação dos preços do ouro.
O movimento positivo também se estendeu aos demais metais preciosos. A prata subiu 4,9%, alcançando a maior cotação em um mês. Já a platina e o paládio atingiram os maiores níveis desde junho, refletindo a melhora do sentimento dos investidores diante das perspectivas de redução das tensões no Oriente Médio.
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