Ouro dispara após Payroll fraco reduzir apostas em alta dos juros nos EUA
Metal precioso atinge o maior nível em sete semanas e caminha para a melhor semana desde janeiro, enquanto investidores revisam expectativas para o Federal Reserve
O ouro voltou a disparar nesta sexta-feira (7) e alcançou o maior patamar em quase sete semanas, após o fraco desempenho do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduzir significativamente as expectativas de um novo aumento dos juros pelo Federal Reserve.
O ouro à vista avançou 2,4%, sendo negociado a US$ 4.341,69 por onça, depois de ultrapassar momentaneamente a marca de US$ 4.350, atingindo o nível mais alto desde 17 de junho. Com isso, o metal acumula valorização superior a 7% na semana, seu melhor desempenho desde janeiro.
O principal catalisador do movimento foi o Payroll, que surpreendeu negativamente. Os Estados Unidos registraram queda de 23 mil empregos em julho, contrariando a expectativa do mercado, que previa a criação de aproximadamente 80 mil vagas. Além disso, os dados de junho foram revisados para baixo, reforçando a percepção de desaceleração no mercado de trabalho.
A leitura mais fraca diminuiu as apostas de que o Fed elevará os juros na reunião de setembro. Após a divulgação dos dados, o mercado passou a atribuir 56,1% de probabilidade para a manutenção das taxas, enquanto a chance de um novo aumento caiu para 43,9%.
Como o ouro não oferece rendimento, um ambiente de juros mais baixos tende a aumentar sua atratividade frente aos ativos de renda fixa. Além disso, a queda das expectativas para os juros também pressionou o dólar, oferecendo suporte adicional ao metal precioso.
O cenário também foi influenciado pelo recuo dos preços da energia e pelo avanço das negociações envolvendo o Irã, fatores que reduziram parte das preocupações inflacionárias e reforçaram as expectativas de uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos.
Mesmo com a forte recuperação recente, o mercado continua otimista em relação ao metal. O UBS reiterou sua projeção de que o ouro poderá atingir US$ 5.000 por onça no primeiro semestre de 2027, sustentado pela perspectiva de juros mais baixos e pela demanda por ativos de proteção.
Entre os demais metais preciosos, a prata subiu 3,4%, para US$ 63,54 por onça, enquanto a platina avançou 1%, para US$ 1.745,87, e o paládio ganhou 0,4%, chegando a US$ 1.376,90. Os três metais também caminham para encerrar a semana em alta.
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