Lula autoriza início de medidas de reciprocidade contra os EUA para acelerar resposta ao tarifaço
Presidente afirma que não tem pressa em retaliar, mas quer dar andamento ao processo diante da falta de diálogo com Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira, 29, que autorizou o início de consultas, investigações e medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. Segundo ele, a decisão tem como objetivo agilizar a formulação da resposta brasileira às tarifas impostas pelo governo norte-americano.
"Esse é um processo que demora um pouco. Não tenho pressa em fazer qualquer reciprocidade com os Estados Unidos, mas tomei essa medida para fazer o processo andar. Precisamos mostrar que temos condições de agir contra os Estados Unidos", afirmou Lula em entrevista à Rádio Itatiaia.
O presidente destacou que não vê urgência em adotar sanções, mas reclamou da falta de disposição do governo americano para negociar. Ele disse que, apesar de ter designado os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) para dialogar, não houve retorno de Washington.
"Não tentei ligar porque ele tem que dar sinal de que quer negociar. Dizem para ligar para o Trump, mas se o secretário do Tesouro não falou com o Haddad e o Alckmin não conseguiu contato com o Comércio, por que meu telefonema resolveria?", questionou. Lula afirmou ainda que, se houver abertura ao diálogo, o "Lulinha paz e amor" estará de volta.
Lula também indicou que uma eventual conversa com o presidente americano, Donald Trump, dependerá da postura dos EUA durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para o próximo mês. "O Brasil não recusa conversar, o que o Brasil faz é não adotar uma complexidade de vira-lata. Nós somos iguais e não queremos conversar com ninguém de forma subalterna", declarou.
O presidente adiantou ainda que seu discurso na ONU abordará defesa da democracia, fortalecimento do multilateralismo e da governança global. Lula também voltou a criticar a guerra entre Israel e Hamas, chamando o conflito de genocídio e acusando Israel de matar mulheres e crianças.
Com informações do InfoMoney
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