BCE vê inflação acima da meta e reforça expectativa de novos aumentos de juros na zona do euro
Ata do Banco Central Europeu indica inflação persistente até 2027 e mantém mercado atento aos próximos passos da política monetária
O Banco Central Europeu (BCE) avalia que a inflação da zona do euro continuará acima da meta de 2% até pelo menos o primeiro semestre de 2027, mesmo considerando quase três novos aumentos de juros nas projeções apresentadas aos dirigentes durante a reunião de junho.
A avaliação consta na ata do encontro realizado nos dias 10 e 11 de junho, divulgada nesta quinta-feira. O documento mostra que a persistência da inflação segue sendo a principal preocupação da autoridade monetária, especialmente diante dos impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre os preços da energia.
Segundo o BCE, a inflação deve voltar a acelerar ao longo dos próximos meses, mantendo-se acima da meta por um período mais prolongado do que o esperado. O cenário reforça a possibilidade de novos ajustes na política monetária para conter as pressões sobre os preços.
Os investidores já precificam novos aumentos da taxa de juros, principalmente após a retomada das tensões no Oriente Médio elevar novamente as incertezas sobre o mercado de energia. Ainda assim, o banco central indicou que pretende manter flexibilidade para reagir conforme a evolução dos dados econômicos.
A ata também mostra que os dirigentes evitaram sinalizar um ciclo automático de aperto monetário, optando por manter uma comunicação neutra e baseada nos indicadores econômicos. A estratégia busca preservar margem de atuação diante de diferentes cenários para inflação e crescimento.
Atualmente, a taxa de depósitos do BCE está em 2,25%, enquanto o mercado acompanha as próximas reuniões da instituição em busca de novos sinais sobre o ritmo dos juros na zona do euro.
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