Mercado monitora riscos à oferta global de energia enquanto conflitos no Oriente Médio e negociações diplomáticas seguem em paralelo
Os preços do petróleo operam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. O mercado reage às novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã, enquanto o risco de interrupções no fornecimento global de energia volta ao centro das atenções.
Os contratos do Brent avançavam 0,4%, para US$ 93,47 o barril, enquanto o WTI subia 1%, negociado a US$ 90,90. O principal fator por trás da alta continua sendo o Estreito de Ormuz, rota responsável por aproximadamente 20% do transporte global de petróleo e gás. O Irã anunciou o fechamento da passagem para petroleiros e embarcações comerciais, afirmando que qualquer tentativa de travessia poderá ser alvo de ataques.
Apesar da escalada militar, as negociações indiretas entre EUA e Irã seguem em andamento. Fontes iranianas e autoridades ocidentais afirmam que as conversas para um acordo preliminar de paz avançaram nos últimos dias, embora os confrontos militares tenham continuado.
Donald Trump voltou a elevar o tom ao declarar que os Estados Unidos poderão atingir o Irã "com muita força" caso o conflito se intensifique. O presidente também mencionou a possibilidade de assumir o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.
O mercado teme que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz provoque novas restrições na oferta global de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito (GNL). Segundo analistas, a combinação entre risco geopolítico e dificuldades logísticas continua sustentando os preços da commodity.
Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo reforçaram o movimento de alta. Dados da Administração de Informação de Energia (EIA) mostraram queda de 7,2 milhões de barris na última semana, acima da expectativa do mercado, que previa recuo de 4 milhões.
Enquanto isso, a produção da OPEP atingiu em maio o menor nível em mais de duas décadas, refletindo os impactos das restrições às exportações iranianas e das dificuldades de escoamento na região do Golfo. Com o conflito ainda sem solução definitiva e o fluxo de petróleo ameaçado, os investidores seguem monitorando qualquer avanço diplomático que possa aliviar a pressão sobre o mercado de energia.