Bolsas globais sobem levemente com queda do petróleo e expectativa por dados dos EUA e resultados da Nvidia
Investidores acompanham possíveis avanços para a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto aguardam dados de inflação dos Estados Unidos e os resultados da Nvidia
As bolsas globais subiram levemente nesta quarta-feira, enquanto os preços do petróleo recuaram diante da expectativa de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte de petróleo no mundo. Ao mesmo tempo, os investidores aguardam novos dados de inflação dos Estados Unidos e os resultados da Nvidia, que podem influenciar os mercados nos próximos dias.
O Irã e Omã afirmaram ter discutido a criação de um corredor temporário de navegação pelo Estreito de Ormuz e concordado em retirar minas da região. A notícia renovou as esperanças de uma redução das tensões no conflito que já dura quase seis meses e ajudou a diminuir o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo.
O movimento teve impacto direto nos preços da commodity. O petróleo Brent caiu pelo terceiro dia consecutivo, recuando quase 3%, para US$ 85,95 por barril. A expectativa é que uma eventual retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz aumente a oferta disponível no mercado. Antes da guerra, a região era responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.
A queda do petróleo também ajudou a reduzir os rendimentos de alguns títulos públicos, principalmente os de curto prazo, que são mais sensíveis às expectativas sobre os juros dos bancos centrais. O rendimento do título alemão de dois anos caiu pelo segundo dia seguido, chegando a 2,771%, o menor nível em mais de uma semana. Nos Estados Unidos, o rendimento do título de dois anos ficou praticamente estável em 4,195%, depois de cair cerca de quatro pontos-base na terça-feira.
Apesar da queda recente do petróleo, os investidores ainda aguardam sinais mais claros de que a situação em Ormuz está realmente se normalizando. "Precisamos ver o tráfego voltar a passar pelo Estreito de Ormuz para termos mais segurança de que as pressões inflacionárias estão realmente diminuindo", afirmou Fiona Cincotta, analista sênior de mercados da City Index.
No mercado acionário, o índice global de ações da MSCI subiu 0,1%, enquanto o STOXX 600, principal índice europeu, atingiu o maior nível em mais de uma semana.
Agora, a atenção dos investidores se volta para os dados de inflação dos Estados Unidos. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), uma das principais medidas acompanhadas pelo Federal Reserve, está previsto para ser divulgado às 9h30 BRT. O indicador poderá ajudar o mercado a entender melhor os próximos passos do banco central americano em relação aos juros.
As apostas de uma alta de pelo menos 0,25 ponto percentual nos juros em setembro caíram para cerca de 36%, ante aproximadamente 67% no início do mês. A mudança aconteceu depois de dados recentes indicarem uma possível redução das pressões inflacionárias. Ainda assim, os investidores continuam esperando que os juros possam subir até o fim do ano.
Para Fiona Cincotta, uma alta em setembro parece menos provável diante da volatilidade dos preços do petróleo e das divergências dentro do próprio Federal Reserve. O mercado também aguarda o simpósio de Jackson Hole, que acontecerá no final desta semana e poderá trazer novas pistas sobre a política monetária americana.
Além dos dados econômicos, o grande destaque do dia é a Nvidia. A empresa deve divulgar seus resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado americano. Os investidores querem descobrir se o enorme aumento dos gastos com inteligência artificial continua sustentável e, principalmente, se esse investimento está gerando lucros suficientes para justificar as atuais avaliações das empresas do setor.
As ações da Nvidia acumulam alta de cerca de 14% em 2026, mas caminham para registrar seu menor ganho anual em quatro anos. Antes da abertura dos mercados americanos, as ações subiam 0,3%, acompanhadas pelos papéis da AMD e da Broadcom.
O mercado de opções indica que os investidores esperam uma reação menor das ações da Nvidia após a divulgação dos resultados do que em outros balanços recentes. Isso pode indicar que o mercado já tem uma visão mais clara sobre o desempenho da empresa e espera menos surpresas.
O mercado de títulos e o dólar também continuam sob atenção. Na semana passada, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou medidas para ampliar seu programa de recompra de títulos, buscando diminuir a pressão sobre os juros dos papéis de longo prazo. A medida, porém, também aumentou a atenção dos investidores sobre o dólar e sobre o nível de gastos e endividamento do governo americano.
Nesse cenário, ativos considerados alternativas ao dólar, como ouro e bitcoin, continuam atraindo interesse. O índice do dólar estava próximo de 99 pontos e caminhava para uma queda de cerca de 1% em agosto.
O ouro à vista era negociado a US$ 4.618,95 por onça, pouco abaixo da máxima de três meses alcançada na sessão anterior. O bitcoin subia para US$ 78.631,59.
Com o petróleo recuando, as bolsas em leve alta e os investidores aguardando dados importantes de inflação, o mercado entra em uma sessão decisiva. Os números do PCE, os sinais do Federal Reserve em Jackson Hole e, principalmente, os resultados da Nvidia podem definir o humor dos mercados nos próximos dias.
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