Ações globais recuam com pressão sobre tecnologia; petróleo cai para mínima de quatro meses

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Ações globais recuam com pressão sobre tecnologia; petróleo cai para mínima de quatro meses

Alta de preços da Apple reacende preocupações sobre os custos da inteligência artificial, enquanto a queda do petróleo e a fraqueza do iene continuam no radar dos investidores

Foto: GettyImages

As bolsas globais encerraram a sexta-feira (26) em queda, pressionadas por uma nova onda de vendas no setor de tecnologia. O movimento ganhou força após a Apple anunciar que não conseguirá mais absorver o aumento dos custos dos chips de memória e armazenamento, indicando que parte desse impacto será repassada aos consumidores.

A declaração da empresa reacendeu os receios de que os investimentos bilionários em inteligência artificial estejam elevando os custos de toda a cadeia tecnológica. Embora as ações da Apple tenham apresentado alguma estabilidade no pré-mercado, isso ocorreu após uma queda de 6% na sessão anterior, suficiente para contaminar o sentimento dos investidores em relação ao setor.

Outro fator que pesou sobre o mercado foi a notícia de que a OpenAI estuda adiar sua oferta pública inicial (IPO) para 2027, reduzindo parte do entusiasmo recente em torno das empresas ligadas à inteligência artificial.

As bolsas europeias recuaram cerca de 1%, enquanto o setor de tecnologia perdeu quase 2%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros apontavam para abertura negativa, com quedas entre 0,5% e 1,1% nos principais índices de Wall Street.

Na Ásia, o movimento foi ainda mais intenso. O índice MSCI de ações asiáticas, excluindo o Japão, caiu aproximadamente 3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, chegou a recuar até 9% durante o pregão, acionando mecanismos automáticos de interrupção das negociações.

Segundo analistas, além das preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial, os rebalanceamentos de fim de mês e de fim de trimestre também aumentaram a volatilidade, principalmente entre as grandes empresas de tecnologia que lideraram os ganhos ao longo do segundo trimestre.

Apesar da divulgação dos fortes resultados financeiros da Micron, o mercado permaneceu focado nos riscos relacionados aos elevados gastos das chamadas hiperescaladoras, empresas que vêm investindo bilhões de dólares em infraestrutura para inteligência artificial.

"Existe preocupação sobre quanto retorno esses investimentos realmente serão capazes de gerar", avaliou Mark Ellis, diretor de investimentos da Nutshell Asset Management. Segundo ele, embora os gastos pressionem os custos no curto prazo, o aumento da eficiência tecnológica poderá reduzir preços no futuro.

Enquanto isso, o petróleo aprofundou sua trajetória de queda, acumulando perdas superiores a 3% na sessão e atingindo níveis próximos das mínimas de quatro meses. O movimento foi impulsionado pela retomada do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz e pela reabertura das operações no terminal de Ras Tanura, da Saudi Aramco, fatores que aumentam a expectativa de maior oferta global da commodity.

No mercado cambial, o iene permaneceu próximo do menor nível em quatro décadas frente ao dólar, sendo negociado ao redor de 161,6 por dólar, mantendo elevada a expectativa de uma possível intervenção das autoridades japonesas para conter a desvalorização da moeda.

Mesmo com dados mostrando que a inflação americana veio em linha com as projeções e com a redução das apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve já em setembro, o dólar continuou forte, permanecendo próximo dos maiores níveis desde maio de 2025.

No mercado de renda fixa, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos registraram nova valorização. Os rendimentos dos papéis de dois anos caíram para 4,09%, acumulando o quarto pregão consecutivo de recuo, enquanto os títulos de dez anos encerraram o dia com rendimento de 4,38%.

Já entre os ativos de proteção, o ouro voltou a subir, avançando 0,5% e encerrando o dia cotado em aproximadamente US$ 4.046 por onça, refletindo a maior cautela dos investidores diante do aumento da volatilidade nos mercados globais.

 

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Sábado, 27 Junho 2026

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