Ouro recua com força após aumento das apostas em alta de juros nos EUA
Dólar fortalecido, saída de recursos de ETFs e rompimento de suporte técnico aumentam a pressão sobre o metal precioso
As expectativas de novos aumentos das taxas de juros nos Estados Unidos e a valorização do dólar reduziram o ímpeto da forte tendência de alta que sustentava o ouro desde 2023, deixando o metal em uma posição mais vulnerável no mercado.
Após atingir recordes históricos no início do ano, o ouro passou a enfrentar um cenário mais desafiador. A combinação entre juros elevados, fortalecimento da moeda americana e menor demanda por proteção levou os preços a recuarem significativamente nas últimas semanas.
O ouro à vista era negociado próximo de US$ 4.188 por onça nesta sexta-feira, após ter atingido uma mínima de seis meses na sessão anterior. Desde o pico registrado em janeiro, o metal acumula uma queda de aproximadamente 25%.
Um dos principais sinais de enfraquecimento veio da análise técnica. O ouro rompeu para baixo sua média móvel de 200 dias pela primeira vez em mais de dois anos, movimento considerado relevante por analistas por indicar possível mudança de tendência de longo prazo.
Além da pressão dos juros, o mercado também enfrenta saídas de capital dos ETFs lastreados em ouro. Os fundos registraram retiradas relevantes nas últimas semanas, enquanto a demanda física permanece enfraquecida em importantes centros consumidores, como a Índia.
Mesmo com a correção recente, analistas seguem vendo fatores de suporte estrutural para o metal. Compras contínuas por bancos centrais, déficits fiscais elevados e riscos geopolíticos globais continuam sustentando uma visão positiva para o ouro no longo prazo.
O foco dos investidores agora está na trajetória dos juros americanos e nos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Uma eventual redução das pressões inflacionárias e dos preços da energia poderia favorecer uma recuperação do metal nos próximos meses.
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