Dólar se mantém nas máximas do ano com ultimato ao Irã e pressão do petróleo

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Dólar se mantém nas máximas do ano com ultimato ao Irã e pressão do petróleo

Moeda americana segue como principal porto seguro global enquanto investidores monitoram o prazo de Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz

Foto: GettyImages

O dólar abriu a terça-feira firme, sustentado pelo aumento da aversão ao risco global e pela expectativa em torno do ultimato dado por Donald Trump ao Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. Sem sinais concretos de recuo por parte de Teerã, o mercado voltou a reforçar posições defensivas na moeda americana, que segue sendo o principal porto seguro diante da combinação de guerra, petróleo elevado e incerteza sobre inflação.

A tensão geopolítica continua sendo o principal motor do câmbio neste momento. O fechamento do estreito, por onde passa uma fatia crítica do fluxo global de petróleo e gás, mantém o Brent orbitando a região de US$ 110 por barril e sustenta o receio de um novo choque de energia. Nesse ambiente, o dólar volta a capturar fluxo global de proteção, beneficiado também pela vantagem estratégica dos Estados Unidos como exportador líquido de energia.

O índice do dólar opera ao redor de 100 pontos, muito próximo da máxima recente de 100,64, registrada na semana passada — o nível mais alto desde maio de 2025. A leitura predominante entre estrategistas é que, sem um cessar-fogo ou ao menos um adiamento significativo do prazo, a moeda americana ainda tem espaço para novas altas no curto prazo.

"Até que haja sinais claros de trégua, o dólar deve seguir valorizado", resume a percepção dominante no mercado. A precificação atual mostra que os investidores preferem liquidez imediata e exposição reduzida a risco enquanto o impasse permanece em aberto.

No mercado asiático, o iene voltou a se aproximar da região crítica de 160 por dólar, reacendendo especulações sobre possível intervenção do governo japonês, como ocorreu em 2024. Já moedas ligadas ao ciclo global de commodities, como o dólar australiano e o neozelandês, tentam encontrar estabilidade após a forte correção registrada durante a escalada militar do fim de março.

Além do noticiário geopolítico, a agenda macroeconômica dos EUA ganha peso crescente ao longo da semana. Os investidores monitoram os pedidos de bens duráveis, a ata do FOMC, a inflação PCE e os dados de confiança do consumidor em busca de sinais sobre a trajetória dos juros americanos. Caso os números confirmem resiliência da atividade e persistência inflacionária, o mercado pode ampliar as apostas em manutenção de juros elevados por mais tempo.

Na Europa, o euro se mantém praticamente estável em torno de US$ 1,1550, mas o foco também recai sobre o Banco Central Europeu. A possibilidade de uma alta de juros pelo BCE em abril ganhou força, especialmente se o choque do petróleo continuar contaminando a inflação da zona do euro.

O pano de fundo continua favorecendo a moeda americana: guerra, energia cara, liquidez global e juros estruturalmente altos. Enquanto não houver definição clara sobre Ormuz e o conflito no Oriente Médio, o dólar tende a permanecer como o ativo preferido dos investidores em busca de proteção.

 

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Terça, 07 Abril 2026

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