Por Maria Eduarda Cabral em Quinta, 18 Junho 2026
Categoria: Economia

Dólar dispara após Fed endurecer discurso e reacende alerta sobre o iene

Postura mais rígida do banco central americano fortalece a moeda dos EUA, enquanto autoridades japonesas voltam a sinalizar possível intervenção no câmbio 

O dólar atingiu nesta quinta-feira o maior nível em um ano, impulsionado pela mudança de tom do Federal Reserve em sua primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh. Embora os juros tenham sido mantidos entre 3,50% e 3,75%, as novas projeções reforçaram a percepção de que novas altas ainda podem ocorrer nos próximos meses.

O movimento levou investidores a revisarem suas apostas para a política monetária americana. Atualmente, o mercado já precifica uma probabilidade relevante de aumento dos juros até setembro, fortalecendo a moeda americana frente às principais divisas globais. A leitura ganhou força após uma sequência de indicadores econômicos acima das expectativas. Os últimos dados de emprego nos Estados Unidos mostraram um mercado de trabalho ainda aquecido, reduzindo a necessidade de cortes de juros no curto prazo.

"O Fed entregou exatamente o tom mais duro que o mercado esperava, enquanto os dados econômicos seguem surpreendendo positivamente", afirmou Sarah Ying, estrategista cambial da CIBC Capital Markets.

Com isso, o euro caiu para US$ 1,1479, enquanto a libra esterlina recuou para US$ 1,3245, ambos nos menores níveis em mais de dois meses. Já o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, alcançou o maior patamar desde maio de 2025.

No Japão, a pressão foi ainda maior. O iene caiu para 160,94 por dólar, renovando o menor nível desde julho de 2024 e reacendendo preocupações sobre uma possível intervenção das autoridades japonesas no mercado cambial.

Diante da nova desvalorização, representantes do governo voltaram a reforçar que estão preparados para agir caso os movimentos sejam considerados excessivos. Enquanto isso, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã contribuiu para aliviar parte das tensões no mercado de energia. A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo para baixo, mas o impacto positivo sobre os mercados foi insuficiente para conter o avanço da moeda americana.

O cenário reforça que, neste momento, os investidores seguem mais atentos à trajetória dos juros nos Estados Unidos do que aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. Com uma economia resiliente e um Fed mais preocupado com a inflação, o dólar volta a ganhar protagonismo e amplia sua vantagem frente às principais moedas globais. 

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