Você provavelmente está sabotando suas finanças; veja como parar!

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Você provavelmente está sabotando suas finanças; veja como parar!

Preconceitos comportamentais podem afetar suas decisões nos investimentos e seus resultados.

Um gráfico de ação no celular. Foto: NappyStock/Reprodução Internet.

"Quer você saiba ou não, goste ou não, há alguns preconceitos comportamentais que podem afetar suas decisões nos investimentos e seus resultados". Quem fez essa afirmação foi o jornalista e escritor especializado em finanças Robert Powell, em um artigo para o site Market Watch. Há uma infinidade de pesquisas provando que ele está certo, como a que descobriu o viés de aversão à perda, em 1979.

De lá para cá, vários outros preconceitos dos investidores foram identificados e Powell listou os principais para que você possa identificá-los e fugir deles. Veja a seguir.

Viés de recência

Basicamente, este viés consiste em se concentrar apenas nos fatos e retornos recentes, nas tendências atuais, ao invés de levar em conta dados históricos. Muitas vezes, os investidores assumem que esses retornos e tendências continuarão indefinidamente, o que não é necessariamente verdade.

Um exemplo são os investidores que compram fundos mútuos e ETFs que produziram os maiores retornos de curto prazo, sem levar em conta as opções de investimento com maiores registros de longo prazo — que poderiam oferecer maior valor no ambiente atual. Assim, quem sofre com esse preconceito pode perder muito dinheiro.

Para combater o viés, o especialista recomenda a dica que John Nersesian, diretor de educação de consultores do banco PIMCO, deu em uma edição recente do Investments & Wealth Monitor: "observe um conjunto de dados maior, um período de tempo mais longo e evite a tentação de usar apenas retornos recentes; observe a volatilidade dos retornos das classes de ativos e o desafio de fazer previsões, usando a chamada tabela periódica de retornos de investimentos", disse ele.

Nersesian recomenda focar sua atenção em coisas que você pode controlar (risco, impostos, custos e comportamentos), ao invés das coisas que você não pode (como retornos de mercado).

Aversão à perda

O medo de perder dinheiro pode fazer com que os investidores, de acordo com Nersesian, vendam investimentos vencedores muito cedo, ou retenham investimentos perdedores por muito tempo, ou ainda invistam em ativos seguros para evitar a possibilidade de perdas.

Como lidar com esse viés: Sarah Newcomb, diretora de ciência comportamental da empresa de pesquisa Morningstar, recomendou lembrar-se de que as perdas são uma parte regular da experiência de todo investidor de sucesso. "Não é um sinal de más decisões, é simplesmente um subproduto da volatilidade", disse ela. E acrescentou: "Você pode ajudar a aliviar o medo de perdas certificando-se de que diversificou adequadamente seus investimentos".

Viés de confirmação

Devido a ele, investidores tendem a buscar informação e acreditar mais facilmente em fontes que concordem com o que eles pensam, disse Sarah. Segundo ela, você pode detectar tendências de confirmação observando seus hábitos de busca de informações.

Para combater o viés de confirmação, a especialista recomendou experimentar novos sites e fontes de notícias.

Familiaridade

Esse comportamento ocorre quando os indivíduos gostam de investimentos familiares, apesar dos claros benefícios da diversificação. "Estamos mais confortáveis com o que é familiar e próximo do que com o que é desconhecido ou distante, então pode ser mais seguro e confortável investir em títulos domésticos do que se aventurar nas águas de fundos e empresas estrangeiras", disse Sarah. "Isso pode levar a ignorar grandes oportunidades", alertou.

Para combatê-lo, pergunte-se: que outras áreas ao redor do mundo você acha que podem estar se desenvolvendo de forma que você possa se engajar? A especialista também indica conversar com um consultor financeiro e ler sobre tendências globais.

Inércia / Status quo

"O viés do status quo acontece quando os investidores não conseguem modificar ou atualizar suas decisões de investimento, apesar dos benefícios potenciais. Por exemplo, as pessoas deixam de economizar para a aposentadoria, nunca se reúnem com um planejador financeiro ou não monitoram ativamente sua carteira de investimentos", explicou Newcomb.

"Mesmo quando estamos desconfortáveis com a situação atual, geralmente preferimos o familiar ao desconhecido", disse ela. E completou: "o viés do status quo se comporta muito como a inércia porque pode nos levar a continuar a nos comportar de uma maneira particular, mesmo quando esse curso de ação não é o ideal".

Para combatê-lo, calcule o custo da inação. "Os depósitos em dinheiro perdem dinheiro com a inflação", disse a especialista. "Deixar de fazer o reequilíbrio pode fazer com que seu portfólio se afaste drasticamente da estratégia pretendida. Inação é ação", afirmou.

Excesso de confiança

Segundo Victor Ricciardi, professor de finanças da Universidade Washington and Lee, as pessoas têm uma tendência a superestimar suas habilidades, conhecimentos e chances de sucesso: "O resultado do excesso de confiança é negociação excessiva, baixos retornos de investimento e falha em diversificar apropriadamente as carteiras de investimento. Esses tipos de indivíduos são comerciantes e não investidores", disse.

Como detectar esse viés? Fique atento se você avalia suas habilidades de investimento como acima da média, espera retornos superiores aos projetados e se negocia excessivamente em comparação com o investidor médio — alertou Ricciardi.

Para superar esse viés, ele indica enquadrar o portfólio como um objetivo de longo prazo, com estratégias como buy and hold.

Como combater preconceitos comportamentais

"Ter a capacidade de não se envolver em maus comportamentos financeiros e de limitar os erros de investimento implica desenvolver e seguir uma estratégia de investimento objetiva e não emocional", explicou Ricciardi.

Outra dica do professor é reunir-se com um profissional financeiro habilitado que auxilie no desenvolvimento de objetivos e na administração de um plano financeiro. 

E você, já sabotou suas finanças?

 

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Segunda, 04 Março 2024

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