Por Maria Eduarda Cabral em Quinta, 26 Fevereiro 2026
Categoria: Política

Tensão com Irã reacende volatilidade global e eleva busca por ativos de proteção

Persistência da capacidade iraniana amplia incerteza geopolítica e pressiona petróleo, ouro e bolsas globais

A divulgação de imagens de satélite que colocam em dúvida a afirmação do presidente Donald Trump sobre uma "vitória fácil" contra o Irã adiciona um novo componente de risco aos mercados globais. Ao sugerirem que o país mantém capacidade operacional relevante e continua reforçando instalações estratégicas, os registros visuais aumentam a percepção de que qualquer escalada militar seria mais prolongada e custosa do que o discurso político indica.

Investidores tendem a reduzir exposição a ativos de maior risco (como ações de mercados emergentes e setores cíclicos) e a migrar para ativos considerados porto seguro. O ouro costuma se beneficiar desse movimento, assim como o dólar e títulos do Tesouro dos EUA (especialmente os de vencimento mais curto).

No mercado de energia, a possibilidade de um conflito mais complexo no Oriente Médio sustenta os preços do petróleo. O Irã é ator relevante na dinâmica regional e qualquer ameaça a rotas estratégicas (como o Estreito de Ormuz) pode impactar a oferta global. Mesmo sem interrupção imediata, a simples ampliação da incerteza já embute volatilidade adicional nos contratos futuros de Brent e WTI.

As bolsas americanas também tendem a reagir com cautela. Setores sensíveis a custos energéticos (como indústria, transporte e companhias aéreas) podem sofrer pressão, enquanto empresas de defesa e energia costumam registrar desempenho relativo superior. Já o setor de tecnologia pode enfrentar oscilações caso a tensão afete cadeias globais de suprimentos ou aumente o risco regulatório.

No câmbio, moedas de países importadores líquidos de energia podem se enfraquecer diante da perspectiva de petróleo mais caro, enquanto divisas consideradas refúgio (como o franco suíço e o iene) tendem a ganhar força em momentos de aversão ao risco.

Em síntese, as imagens de satélite não alteram apenas o debate político, elas recalibram as expectativas de risco sistêmico. Quanto maior a percepção de que um eventual confronto não seria rápido ou limitado (como sugerido na retórica oficial), maior a tendência de volatilidade nos mercados globais, com fluxos direcionados para proteção e redução de exposição a ativos sensíveis ao crescimento. 

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