Wall Street começa a semana perto dos recordes, de olho em Ormuz e na inflação
Mercado monitora negociações entre Irã e Omã enquanto investidores aguardam novos dados de inflação e avaliam os próximos passos do Federal Reserve
Wall Street deve abrir a segunda-feira (10) praticamente estável, depois de uma sequência de recordes, com os investidores acompanhando as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz e se preparando para uma semana marcada por dados importantes de inflação nos Estados Unidos.
O Irã afirmou estar próximo de um acordo final com Omã para estabelecer novas rotas de navegação pelo estreito, mas deixou claro que a reabertura da passagem estratégica ainda depende do cumprimento de algumas condições pelos Estados Unidos.
A possibilidade de normalização do tráfego em Ormuz ajudou a reduzir parte das preocupações com a oferta de energia. O estreito é uma das principais rotas para o transporte global de petróleo e gás, e uma eventual retomada dos fluxos pode aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e, consequentemente, sobre a inflação.
Esse cenário ganhou ainda mais importância depois que os dados de emprego divulgados na semana passada mostraram uma queda inesperada nas vagas nos Estados Unidos em julho. O resultado reduziu as apostas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro, que agora estão em aproximadamente 44%, segundo a ferramenta FedWatch, da CME.
Nesta semana, os investidores terão novos dados para avaliar essa possibilidade. Os números de inflação ao consumidor (CPI) e inflação ao produtor (PPI) serão os principais indicadores do calendário econômico e podem influenciar diretamente as expectativas para a próxima decisão do Fed.
Enquanto isso, o mercado acionário continua sustentado pelos resultados corporativos e pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. O S&P 500 encerrou a última sexta-feira em recorde, acumulando alta superior a 13% no ano.
A temporada de balanços também permanece forte. Das 436 empresas do S&P 500 que já divulgaram resultados referentes ao segundo trimestre, 85,1% superaram as estimativas dos analistas, segundo dados da LSEG. O percentual está bem acima da média histórica de aproximadamente 67%.
O desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial tem sido um dos principais pilares dessa valorização. O JPMorgan elevou sua projeção para o S&P 500 no fim de 2026, de 7.800 para 8.000 pontos, citando a força dos resultados corporativos e a expectativa de que os investimentos em IA continuem impulsionando as receitas das grandes empresas de tecnologia.
Apesar do cenário positivo, a abertura desta segunda-feira deve ser mais cautelosa. Às 8h36, os futuros do Dow Jones recuavam 0,13%, enquanto os do S&P 500 caíam 0,07% e os do Nasdaq 100, 0,14%.
Entre as empresas em destaque no pré-mercado, GameStop subia 2,4% após notícias de que a companhia estaria avaliando retirar sua oferta pelo eBay. Barrick Mining recuava 5,7% depois de apresentar lucro abaixo das expectativas, enquanto a Intel caía 4,6% após anunciar uma oferta de ações de US$ 15 bilhões. A Apple também operava em baixa, com queda de 1,1%, após a Jefferies rebaixar sua recomendação para os papéis da companhia.
Com Wall Street próxima das máximas históricas, o mercado entra em uma semana em que inflação, juros, petróleo e Ormuz podem determinar se o rali continua ou se os investidores finalmente reduzem o ritmo depois dos fortes ganhos recentes.
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