Mercados aguardam Payroll enquanto ações avançam e petróleo oscila com foco no Oriente Médio
Investidores monitoram o relatório de empregos dos EUA para definir as expectativas sobre os juros
As bolsas globais caminham para encerrar a semana com o melhor desempenho desde maio, impulsionadas por uma combinação de resultados corporativos sólidos, entusiasmo renovado com a inteligência artificial e expectativa em torno do Payroll, o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, que pode redefinir o rumo da política monetária americana.
O índice MSCI All Country World acumula alta de 2,4% na semana, enquanto o europeu STOXX 600 avançou 0,6% nesta sexta-feira, impulsionado principalmente pelos setores de tecnologia e farmacêutico.
Depois da volatilidade registrada ao longo de julho, quando investidores passaram a questionar o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial, o foco do mercado voltou a se concentrar na economia americana. A expectativa é de que os Estados Unidos tenham criado cerca de 80 mil vagas de trabalho em julho, após a geração de 57 mil empregos em junho, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%.
Os mercados seguem divididos sobre os próximos passos do Federal Reserve. Atualmente, investidores atribuem probabilidades semelhantes tanto para a manutenção quanto para um novo aumento dos juros na reunião de setembro, tornando o relatório de emprego um dos indicadores mais importantes do mês.
Analistas avaliam que um mercado de trabalho mais aquecido pode fortalecer as apostas de juros elevados por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos e limitando o desempenho das ações. Por outro lado, números mais fracos podem aliviar essas expectativas e favorecer os ativos de risco.
Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq avançavam 0,6%, enquanto os contratos do S&P 500 subiam 0,3%, refletindo o bom momento do setor de tecnologia. Entre os destaques, as ações da Cloudflare dispararam após a empresa divulgar uma projeção otimista para seus resultados, reforçando o interesse dos investidores por empresas ligadas à infraestrutura de computação em nuvem e inteligência artificial.
No mercado de energia, o Brent recuava para a região dos US$ 82 por barril, mesmo após novos ataques dos houthis contra posições ligadas à Arábia Saudita no Iêmen. Os investidores continuam priorizando as perspectivas de um possível acordo envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, reduzindo parte do prêmio de risco incorporado ao petróleo nas últimas semanas.
Enquanto isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneceram praticamente estáveis antes da divulgação do Payroll. O Treasury de dois anos era negociado próximo de 4,24%, enquanto o título de dez anos rondava 4,67%.
No mercado cambial, o dólar operava praticamente estável, mantendo o iene ao redor de 158,3 por dólar, após a forte valorização da moeda japonesa provocada pela intervenção conjunta entre Japão e Estados Unidos na semana passada.
Já o ouro continuou refletindo a fraqueza recente do dólar. O metal acumula alta próxima de 7% na semana, seu melhor desempenho desde janeiro, sendo negociado ao redor de US$ 4.322 por onça, sustentado pela queda das expectativas de aperto monetário e pela busca por proteção em meio às incertezas geopolíticas.
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