Bolsas globais recuam e juros disparam com retorno dos temores de inflação
Alta do petróleo e pressão inflacionária derrubam ações ao redor do mundo e reforçam apostas em juros elevados por mais tempo
As bolsas globais operaram em forte queda nesta sexta-feira, enquanto investidores reduziram o apetite por risco diante do avanço das preocupações com a inflação e da escalada nos rendimentos dos títulos públicos.
O índice global da MSCI recuou 0,35%, enquanto o europeu STOXX 600 caiu 1,4% após dois pregões consecutivos de alta.
Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street também perderam força. Os contratos futuros do Nasdaq caíram 1,3%, enquanto os do S&P 500 recuaram 0,9%, interrompendo o entusiasmo recente impulsionado pelas ações de inteligência artificial.
A queda acontece após uma sequência de máximas históricas lideradas principalmente pela Nvidia e pelo setor de semicondutores.
Na Ásia, o movimento negativo também ganhou força. O índice MSCI da região Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu 2,5%, enquanto o Nikkei japonês recuou cerca de 2%.
Os investidores reagiram aos dados que mostraram aceleração da inflação no atacado do Japão para 4,9% em abril, o maior nível em três anos, reforçando expectativas de novos aumentos de juros pelo Banco do Japão.
Segundo analistas, o mercado começa a demonstrar sinais de desgaste após a recuperação acelerada das últimas semanas. Os preços do petróleo voltaram a subir diante das incertezas sobre um possível acordo de paz no Oriente Médio e da continuidade das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz.
O Brent avançou 2,3% e voltou a operar acima de US$ 108 por barril, caminhando para uma alta semanal de quase 7%. Mesmo com a visita de Donald Trump à China trazendo algum alívio temporário aos mercados, investidores seguem cautelosos quanto à situação envolvendo o Irã.
Após encontro com Xi Jinping, Trump afirmou que ambos concordam que o Irã não deve possuir armas nucleares e defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz. Ainda assim, o foco principal do mercado permanece na inflação e nos juros.
Os rendimentos dos títulos globais dispararam nesta sexta-feira. O rendimento do Treasury americano de 10 anos subiu para 4,53%, próximo das máximas de um ano, enquanto os títulos alemães e japoneses também registraram forte avanço.
O movimento reforçou as apostas de que bancos centrais poderão manter políticas monetárias restritivas por mais tempo para conter a inflação alimentada pelos preços elevados da energia.
O dólar também ganhou força e caminha para registrar sua maior alta semanal em dois meses. Bolsas globais recuam e juros disparam com retorno dos temores de inflaçãoA valorização da moeda americana pressionou o iene para a região de 158 por dólar, aumentando novamente as especulações sobre uma possível intervenção do governo japonês no mercado cambial.
Na Europa, a libra esterlina voltou a cair após o agravamento da crise política no Reino Unido, aprofundada pela renúncia do ministro da Saúde, Wes Streeting.
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