Por Maria Eduarda Cabral em Terça, 26 Agosto 2025
Categoria: Economia

Trump anuncia demissão de diretora do Fed, mas Lisa Cook contesta e diz que segue no cargo

​Impasse levanta temores sobre a autonomia do banco central dos EUA e pode abrir caminho para mudanças profundas na instituição

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite desta segunda-feira (25) que removeu do cargo a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook. O anúncio foi feito em sua rede social, Truth Social, e, segundo ele, teria efeito imediato. Cook, no entanto, afirma que continua exercendo suas funções normalmente e que Trump não tem autoridade legal para afastá-la.

A decisão ocorreu após dias de tensão. Na última sexta-feira (22), Trump já havia ameaçado demitir Cook caso ela não renunciasse, acusando-a de irregularidades em pedidos de hipoteca. O diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional, William Pulte  indicado por Trump  disse que Cook teria declarado duas residências como principais. Nenhuma prova pública, porém, foi apresentada até agora.

Em comunicado, Trump afirmou haver "evidências suficientes" para justificar a demissão por "justa causa", alegando que a conduta de Cook levantaria dúvidas sobre sua competência como reguladora financeira. A diretora rebateu, classificando a iniciativa como "ilegal e sem fundamento", e prometeu recorrer. Seu advogado, Abbe David Lowell, reforçou que o presidente não pode afastar membros do Fed sem devido processo legal.

Risco à independência do Fed

O episódio intensifica preocupações sobre a autonomia da autoridade monetária americana. Trump vem pressionando o presidente do Fed, Jerome Powell, a acelerar cortes nos juros, algo que Powell vinha conduzindo com cautela, apesar dos sinais recentes de desaceleração econômica.

Economistas alertam que, se Trump conseguir consolidar influência no conselho do Fed, poderá remodelar profundamente a instituição. O economista-chefe do J.P. Morgan nos EUA, Michael Feroli, avalia que uma eventual saída de Cook criaria mais uma vaga no colegiado em menos de um mês, abrindo espaço para que o presidente nomeie aliados.

Feroli lembra ainda que, uma decisão recente da Suprema Corte ampliou os poderes do Executivo para demitir dirigentes de agências independentes, mas manteve uma proteção especial ao Fed. Além disso, a suposta fraude atribuída a Cook teria ocorrido antes de sua nomeação, o que fragilizaria o argumento de "justa causa".

Se Trump for bem-sucedido, o impacto pode ser amplo: os 12 presidentes regionais do Fed tê seus mandatos revisados em fevereiro de 2026, e um conselho alinhado à Casa Branca poderia substituí-los. "Isso elevaria os riscos para a política monetária e para a inflação nos próximos anos", alerta Feroli.

Com informações do Valor Econômico

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