Alta dos rendimentos dos títulos e tensão no Oriente Médio voltam a pesar sobre tecnologia e ações de crescimento
Wall Street operou em queda nesta terça-feira, pressionada principalmente pelos setores de tecnologia e consumo discricionário. O movimento ocorre em meio ao aumento das preocupações com a inflação, que levou o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos ao maior nível em mais de um ano. A recente alta das bolsas perdeu força após a venda global de títulos iniciada na última semana, enquanto o avanço dos preços do petróleo reforçou o temor de juros elevados por mais tempo.
Mesmo com recuo de 1,1%, o petróleo Brent permaneceu acima de US$ 110 por barril. A queda ocorreu após Donald Trump afirmar que adiou um ataque militar planejado contra o Irã enquanto as negociações continuam. Ainda assim, o cenário geopolítico segue pressionando o mercado e mantendo a inflação no radar dos investidores.
Os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir ao longo do pregão. O título americano de 10 anos chegou a 4,6653%, maior nível desde janeiro de 2025. Para analistas, esse continua sendo o principal fator por trás da pressão recente sobre as ações, já que juros mais altos reduzem a atratividade de empresas de crescimento e tecnologia.
Por volta das 13h04 no horário de Brasília (BRT), o Dow Jones caía 0,5%, o S&P 500 recuava 0,65% e o Nasdaq perdia quase 1%. Sete dos onze setores do S&P 500 operavam no vermelho, com tecnologia e consumo discricionário liderando as perdas.
O setor de software, que havia sustentado ganhos no início da sessão, também perdeu força. Já o setor de saúde foi um dos poucos destaques positivos, avançando 1,3%. Entre as empresas, a Akamai Technologies caiu 4,9% após anunciar uma oferta de títulos conversíveis de US$ 2,6 bilhões.
O mercado agora volta as atenções para quarta-feira, quando serão divulgadas a ata do Federal Reserve e os resultados da Nvidia. Os investidores buscam sinais sobre os próximos passos da política monetária e sobre a força da demanda ligada à inteligência artificial, um dos principais motores da valorização recente do setor de tecnologia.
Segundo a ferramenta FedWatch, o mercado já atribui mais de 41% de probabilidade a uma alta de juros de pelo menos 0,25 ponto percentual em janeiro, mantendo o clima de cautela em Wall Street.