Disparada dos rendimentos dos títulos e avanço do petróleo pressionam ações de tecnologia e interrompem o rali da inteligência artificial
Wall Street operou em forte queda nesta sexta-feira, pressionada pelo avanço dos rendimentos dos títulos americanos e pelo aumento das preocupações com a inflação causada pelas tensões no Oriente Médio.
O rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 4,58%, atingindo o maior nível desde maio de 2025. O movimento reforçou as apostas de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo e até voltar a subir as taxas ainda este ano.
O petróleo também voltou a disparar. O Brent avançou mais de 3% e superou os US$ 109 por barril, após novas declarações de Donald Trump e autoridades iranianas reduzirem as expectativas de um acordo rápido para encerrar o conflito.
Com isso, investidores passaram a reduzir exposição às ações de tecnologia, que lideraram as perdas do pregão.
Nvidia e AMD caíram mais de 3%, enquanto a Intel recuou 6,5%. O índice de semicondutores da Filadélfia perdeu 3,5%, devolvendo parte dos ganhos recentes impulsionados pelo entusiasmo com inteligência artificial.
O setor de energia foi o único a subir no S&P 500, beneficiado pela alta do petróleo.
Além da pressão inflacionária, o mercado também reagiu negativamente ao encerramento da cúpula entre Estados Unidos e China sem avanços relevantes nas negociações comerciais e geopolíticas.
Entre os destaques positivos do dia, a Microsoft avançou 3,6% após Bill Ackman divulgar participação acionária na empresa. Já a Dexcom subiu 6,7% depois de anunciar mudanças em seu conselho administrativo.
Mesmo com altas pontuais, o sentimento predominante do mercado foi de cautela, com investidores preocupados com a combinação entre inflação persistente, juros elevados e tensões globais.